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"E se for por aqui? Neuquém testa outro caminho para financiar infraestrutura"

Por Julian Galeano

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Neuquén abriu uma experiência que, por enquanto, convém olhar mais como um teste do que como uma solução definitiva. O governo provincial e empresas de hidrocarbonetos avançaram na criação de um fideicomisso para financiar rotas estratégicas vinculadas a Vaca Muerta, com o objetivo de acompanhar o crescimento da atividade, reduzir tempos de traslado e melhorar custos logísticos.

Infraestrutura atada à produção

A lógica do esquema é interessante: as obras não aparecem desconectadas da economia real, mas associadas a uma zona produtiva concreta. Vaca Muerta precisa de rotas, acessos e melhor conectividade para sustentar sua expansão, e o fideicomisso busca acelerar a infraestrutura que o Estado, por si só, muitas vezes demora em executar.

A novidade é que as petrolíferas participam do financiamento de obras que também lhes permitem melhorar sua operação. Não é uma privatização lisa e seca da obra pública, mas um modelo misto onde o interesse produtivo privado se cruza com uma necessidade pública de infraestrutura.

As perguntas que ficam em aberto

Agora bem, que seja inovador não significa que esteja isento de riscos. Será preciso observar como são administrados os fundos, quais controles terá o fideicomisso, como são adjudicadas as obras, quais prazos reais são cumpridos e se o esquema evita se tornar uma nova caixa política. Esse será o ponto central para medir se o modelo aporta eficiência ou simplesmente muda a forma de financiar velhos problemas.

A experiência neuquina não deve ser lida ainda como um modelo fechado, mas sim como uma variável a ser estudada. Se conseguir acelerar obras, reduzir custos logísticos e manter a transparência, pode abrir uma discussão mais ampla sobre como financiar infraestrutura em zonas produtivas. Se falhar na execução ou nos controles, ficará como mais uma tentativa.

Por enquanto, a pergunta continua aberta: pode a infraestrutura deixar de depender apenas do gasto estatal tradicional e começar a ser pensada em função da produtividade? Neuquén ensaia uma resposta. O tempo dirá se funciona.

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Julian Galeano

Julian Galeano

Sou um comunicador especializado em estratégias digitais e produção de conteúdo político. Na minha adolescência, me formei no mundo do rádio e me graduei como Locutor no I.S.E.R., onde aprofundei em narração, oratória e construção de mensagens. Trabalhei como assessor de dirigentes e equipes em campanhas eleitorais, comunicação estratégica e posicionamento digital. Atualmente, dirijo a Praset, empresa dedicada à comunicação digital, e coordeno editorialmente a PoliticAnalizada.

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