11/01/2024 - Economia e Finanças

Cartão cheio.

Por Horacio Gustavo Ammaturo

Cartão cheio.

Economistas, líderes e jornalistas concordam que o principal problema na economia argentina está na inflação, principalmente nessa que se denomina “contenda ou atrasada” em bens e serviços regulamentados ou controlados pelo estado. Tarifas, seguros de saúde, transportes públicos ou combustíveis são alguns dos exemplos que podemos citar.Este tipo de intervenções procura compensar o poder de compra do rendimento, particularmente o dos salários.Se os controlos ou intervenções existentes nos preços forem retirados de um dia para outro, os salários devem ser consideravelmente maiores, pelo menos, como para manter o poder de compra magro que hoje têm.De alguma forma, Todos os que temos empregados ou consumimos bens ou serviços que se valem deles para serem produzidos, gozamos dos subsídios que estes recebem, pagando salários menores.No entanto, Se a libertação de preços for acompanhada por políticas de redução do emprego público, de congelamento das despesas e subsídios, a oferta de trabalho aumentará dramaticamente, consequentemente, a recomposição salarial poderia ser adiada.Ou seja, que face a uma desvalorização de 55%, a conclusão dos programas de controle de preços e a redução ou eliminação dos subsídios ao transporte e energia agregam-se medidas que aumentam a oferta de trabalho, como a diminuição no modelo de trabalhadores públicos, o poder de compra dos argentinos será afectado muito negativamente.Esta situação será, em princípio, a baixa nas vendas, o corte nas cadeias de pagamentos, maior desemprego e mais pobreza.Cartão cheio para este bingo da decadência em que a Argentina vem jogando sem perder uma única partida.Um cartão em que nos seus estaleiros estão presentes A falta de interesse de investidores genuínos na nossa dívida pública, elevadas taxas de inflação, muito pesada procura na nossa moeda soberana, défice fiscal, pobreza e indigência.Analisando as primeiras medidas da equipe econômica deste novo governo ouvimos de boca do ministro da economia que o principal problema da Argentina é o déficit fiscal, constituindo este o verdadeiro orígen de todos os males.O diagnóstico poderia pecar de parcial e afastar-se do verdadeiro fundo da questão.Claramente, a dívida, a inflação e os regulamentos são derivados do vermelho nas contas públicas, mas é primordial entender o porquê do défice.Existem obrigações indelegáveis inerentes à função do estado dentro de um modo de governo representativo, republicano e federal. Segurança, educação ou saúde, para enunciar algumas, ou inclusão social e laboral, deveriam contar com recursos suficientes, pois suas restrições orçamentais significam maiores custos para o futuro.Simplificar a realidade de um país comparando-o com a economia de uma família pode nos fazer cair na falácia de que só se pode ajustar o consumo em vez do rendimento.Devemos mudar o ponto de observação para que em vez de expressar que “não há prata” procuremos como ganhar mais.Dificilmente, aumentar impostos, baixar salários ou reduzir empregos a actividade privada pode ser beneficiada e acompanhar a migração do sector público.Por enquanto, os pequenos ajustamentos prometidos recaim mais do que as pessoas, aposentados, trabalhadores, empresários e membros da economia popular que viram reduzir o poder de compra da moeda com que trabalham em mais de 50% em apenas 48 horas de gestão e que provavelmente tenham menos vendas, menos empregos e menos recursos.Esta gestão que se inicia nos previno de tempos difíceis, porém, enfatizou uma e outra vez, que nesta oportunidade o esforço o faria a política, a que identificou como casta, por se tratar de uma minoria que gozava de condições mais benéficas do que o resto.Nada disto foi reflectido nas primeiras medidas.Resta-nos esperar e observar como evoluem, tanto a gestão como as possibilidades fácticas dos cidadãos para acompanhar este modelo, que é pouco inovador.Ficamos muito a cortar, vamos ver se aparecem boas novas que proponham o alargamento e a criação de empresas, a contratação de mais empregados e a abertura de mercados internacionais onde oferecer os nossos produtos com valor acrescentado.

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horacio gustavo ammaturo

Horacio Gustavo Ammaturo

Chamo-me Gustavo Ammaturo. Sou licenciado em Economia. CEO e Diretor de empresas de infraestrutura, energia e telecomunicações. Fundador e mentor de empresas de Fintech, DeFi e desenvolvimento de software. Designer de produtos Blockchain.

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