23/08/2022 - Economia e Finanças

Como se emite o dinheiro e o que é a Base Monetária?

Por FinGurú

Como se emite o dinheiro e o que é a Base Monetária?

Esta nota foi escrita por Frederico Rossi.

O Banco Central tem três formas de emitir dinheiro, mas apenas as primeiras duas que vamos desenvolver são as oficiais:

Emissão orgânica

O BCRA adquire ativos internacionais, tais como ouro e divisas, sob um regime de taxa fixa. Essas moedas, que são nem mais menos do que a moeda de outro país, costumam ter uma aceitação internacional, como acontece com o dólar dos Estados Unidos. Esses ativos adquiridos entram nas arcas do BCRA e, em contrapartida, a contraparte emite notas e moedas registadas no seu passivo.

Esta fórmula de emissão monetária foi implementada na Argentina na década de 90, sob a presidência de Carlos Menem, onde o governo e o BCRA fixaram uma taxa de câmbio no qual a emissão de um peso argentino deveria ser apoiada pela entrada de um dólar americano e vice-versa. A famosa convertibilidade.

Emissão inorgânica ou fiduciária

Praticamente, é a emissão de dinheiro sem qualquer correspondência com o aumento de bens e serviços ou com uma diminuição desses. A taxa de câmbio é flutuante, como na maioria dos países do mundo.

Os problemas de inflação originam-se quando o Banco Central abusa deste mecanismo, concedendo crédito ao setor público e ingressando no compromisso de pagamento como um ativo e emitindo notas que se registram no seu passivo. Também, quando o Tesouro emite dívida estrangeira, obtém dólares que são entregues ao Banco Central em troca de pesos para que o Tesouro possa enfrentar despesas excedentárias.

Na Argentina, durante a gestão do kirchnerismo (quando não se procurava financiamento dos mercados internacionais), o governo Utilizou a dívida do Tesouro, especificamente com as várias vezes nomeadas “Letras Intransferíveis do Tesouro”, que passaram de ter uma participação de 14% no ativo do BCRA a quase 66% no final de 2015.

Com o início do Governo de Macri, a fonte de financiamento mudou e começou a ir para os mercados internacionais. Nessa altura, para evitar que todo o endividamento gasto desde janeiro de 2016 afundasse o preço do dólar (produto da grande quantidade de dólares que ingressaram na economia), o BCRA comprou diretamente uma parte desses fundos ao governo nacional e para isso emitiu pesos. Isto redundo irremediavelmente num aumento da inflação. Além disso, como a maioria do dinheiro da dívida foi destinado a despesas no país (e não a importações) gerou a necessidade de ser trocada por pesos.

Regulação de rendas bancárias

Os níveis de rendas bancárias são definidos pelo Banco Central e é a percentagem de reserva que cada banco deve manter imobilizados nas suas arcas para fazer frente às retiradas de numerário por parte do público. Ou seja, se a renda for de 10%, por cada depósito de US$1.000 que recebe deve reter $100, enquanto o resto pode utilizá-lo para conceder empréstimos. Dessa forma, quanto menor esse coeficiente, mais dinheiro poderá emprestar o banco, gerando assim uma expansão do dinheiro com a denominada “creação secundária do dinheiro”.Através da utilização da emissão de moeda e da utilização de rendas bancárias, o Banco Central pode expandir a oferta monetária.La base monetária É a soma do dinheiro nas mãos do público mais as reservas bancárias (percentagem dos depósitos que os bancos mantêm em caixa para poder atender às solicitações de liquidez dos seus clientes). No entanto, esta é apenas uma pequena parte de todo o dinheiro que existe no país para fazer pagamentos.

Aqui entram em jogar o que se conhecem como agregados monetários e compõem a oferta monetária total. Esses agregados são identificados com a sigla M (por inicial de dinheiro em inglês) seguida de diferentes números, cada um dos quais implica uma definição de dinheiro cada vez mais ampla e menos líquida.

Na Argentina existem quatro: M0, M1, M2 e M3.

M0 É a base monetária acima referida.

M1 O M0 é mais o dinheiro em contas correntes nas mãos do setor privado e público.

M2 O M1 é mais o dinheiro em caixas de poupança do setor público e privado.

M3 É M2 mais os depósitos do sector privado e público (praços fixos, investimentos, etc.).

Assim, esta é composta pela oferta monetária.

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