24/02/2022 - Economia e Finanças

O maior risco do investidor é um mesmo

Por Gustavo Neffa

O maior risco do investidor é um mesmo

É altura de entender por que um dos maiores riscos ao investir somos nós mesmos.

Um dos primeiros erros que correm aqueles que aspiram a multiplicar rapidamente o dinheiro, é o desejo de querer se salvar ou querer recuperar num curto prazo, e sem importar as consequências, as perdas acumuladas de meses ou anos anteriores. A diferença entre uma causa e a outra é que, na primeira, o investidor não conhece nem assumiu esses riscos e, na segunda, busca revancha porque já sofreu em carne própria a volatilidade que lhe causou perda em seu portfólio de investimentos.

Sobrão os casos bem-sucedidos de jovens que se tornaram milionários da noite para a manhã com uma pequena conta de trading operando nos mercados financeiros. Mas é como adivinhar qual será a ação que terá o percurso da Apple nos últimos 20 anos nas próximas décadas, ou apostar por Messi quando tinha apenas 9 anos. Só há uma empresa reconhecida e com liquidez que o fez, só há um jogador que o consegue. E não é só muita sorte, mas também requer uma operatória intensa de compra/venda.As penny stocks ou acções de baixos preços são muitas vezes o objectivo deste tipo de investimento. Em outras palavras, este sistema é o mais parecido com que os astros se alinham ao nosso favor.

Sempre que existam ganhos elevados, isso implica assumir maiores riscos. Sempre. Não há almoços grátis. Sempre haverá um risco que assumir para obter retornos anormalmente altos, com o risco de perder parte ou todo o capital investido.Para duplicar ou perder o dinheiro, está o casino.

O mercado de capitais oferece sempre a oportunidade de encontrar riscos e de os operar para que joguem a nosso favor, mas lembrem-se de que o conceito de volatilidade é que o trade ou contra o nosso. O importante é saber e tomar em consideração que pode ser contra o nosso e agir em conformidade, ou seja, aplicar os conceitos básicos de qualquer administrador profissional: diversificar entre países, sectores e instrumentos financeiros, aplicarstop-losses definindo a máxima perda possível e usar derivados quando for conveniente fazê-lo. Esses temas serão motivo de próximas notas nesta mesma seção.

Outro Erromuito frequente é que muitas vezes opera com fundos emprestados, alavancando[i] a posição; isto é, usando mais prata do que realmente um tem. Quando se abre no exterior uma conta, esse empréstimo que temos disponível chama-se conta de margin. Consiste em um crédito que podemos usar, desde que o corretor ou banco tomem garantias da conta imobilizando algumas posições de ativos comprados. No mercado doméstico equivale a tomar fundos de cauções (ou “tomar caução”): o que toma o dinheiro emprestado tem como contrapartida dinheiro de investidores que o querem colocar a taxa, a taxa que um como tomador da caução tem de pagar. A taxa a que se coloca a caução é mais baixa do que a que se aplica quando os fundos prestados são utilizados.

No mercado doméstico equivale a tomar fundos de cauções (ou “tomar caução”): o que toma o dinheiro emprestado tem como contrapartida dinheiro de investidores que o querem colocar a taxa, a taxa que um como tomador da caução tem de pagar. A taxa a que se coloca a caução é mais baixa do que a que se aplica quando os fundos prestados são utilizados.

Promediar posições quando uma queda no preço de um ativo em busca de revancha também não é uma boa alternativa, a menos que saibamos o que estamos fazendo, ou seja, concentrando os riscos ainda mais.

Também O investidor tem de controlar o fato de que o dinheiro em dinheiro e sem estar invertido não tem por que “quemarle”, desde que esteja protegido da inflação. Por outras palavras, deve estar colocado pelo menos à taxa livre de risco que lhe conserve o poder de compra da moeda. Também pode investir em moeda dura (em dólares) para que o conserve esse poder de compra porque a longo prazo, o dólar costuma ir da mão da inflação, embora a curto prazo possa distanciar-se bastante do mesmo. Mas o desejo de operar é muitas vezes uma necessidade exagerada, porque Em momentos de turbulência nos mercados ou de maior incerteza para a aconselhada a investir em activos de risco o melhor é não fazer nada e der a taxa de risco livre. Uma das melhores decisões de investimento em determinados momentos é estar em cash ou líquido. A alternativa mais comum na Argentina é ou quer colocar uma caução, ou colocar o dinheiro num fundo money market (que é basicamente um fundo de prazos fixos, escalonados) para que devengue uma mínima taxa livre de risco.

Analisar os aspectos psicológicos nos mercados é importantíssimo na hora de poder administrar e investir corretamente nossos fundos. Não só implica poder controlar-se a si próprio, mas compreender a lógica dos mercados e de que forma a ganância ou os medos exagerados se deslocam aos preços, distorcendo-os a curto prazo e afastando-os do seu valor “justo”, ou o que deveria ter pelos seus fundamentos.

É por isso que defendo o maior risco do investidor não no mercado, mas sim no senhor que está em frente ao espelho e no seu desejo de ganhar além do que tolera ou dos riscos que pode e sabe assumir.

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gustavo neffa

Gustavo Neffa

Sou Gustavo Neffa. Diretor de Economia e Finanças no FinGurú. Parceiro e diretor da Research for Traders, liderando uma equipe de analistas de mercados. Eu desempenhoi os últimos 24 anos no setor financeiro tanto em entidades domésticas como de capitais estrangeiros, tendo ocupado o posto de Analista de Research Senior em Macrosecurities do Banco Macro e no BBVA Banco Francês, além de analistas econômicos junto ao economista-chefe do BBVA Banco Francês. Também sou professor em matéria de Finanças Corporativas, Administração de Carteras de Investimento, Valuação de Activos Financeiros, Valuação de Projetos de Investimento e Finanças Internacionais em diversos MBAs e cursos de pós-graduação em Buenos Aires e no interior do país e professor do MBA da UNLP e da UNNE de avaliação de ativos financeiros, e da pós-graduação em Mercado de Capitales da UBA em convênio com ByMA. Codiretor do Programa de Finanças Avançado da UNLP.

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