08/06/2022 - Economia e Finanças

A história da inflação - Parte 1

Por Agustin Arnal

A história da inflação - Parte 1

Inflação, da antiga Roma ao mundo Crypto

Não é preciso ser economista (nem uma mente brilhante, se for caso disso) para entender que salvo contadas excepções - que também são temporárias - os preços aumentam ao longo do tempo. Em países como a Argentina, é normal que um garoto de 6 anos saiba perfeitamente que, cada tanto, o quiosco que lhe vende petiscos no recreio sobe os preços: tem que pedir mais prata aos seus pais.

A inflação é um fato complexo em termos de teoria econômica (tranquilos, não quero aborrece-los). Mas, mais importante, é um fenômeno bem prático. Não pega apenas os economistas, pega-nos a todos. Doña Rosa pode ser uma das metáforas mais exageradas e acertadas que existiram: ela sempre compra dólares “para ganhar a inflação”.

É claro que compreender a inflação é fundamental para evitar o mau que traz e aproveitar as suas vantagens? Então, o tema é: como funciona a inflação?

La Antiga Roma

Primeiro, vamos ver isto acima: a inflação não é um fenômeno local, raro ou novo. Há provas contundentes de que no Império Romano não só existiu a inflação, mas foi uma das coisas que o levou a seu declínio e queda.

Inflação no Império Romano? Como pode ser? Claro, homem. A inflação nasceu na Roma Antiga. Todos tivemos essa classe de História (embora talvez nem todos tenhamos acordado): o Império Romano esteve na vanguarda em vários aspectos da vida. Um exemplo, a maioria do direito como o conhecemos hoje baseia-se no direito romano. Parecido a isto, a organização econômica de Roma foi vanguardista e pioneira, com todos o bom (e o ruim) que isso significa.

A expansão territorial do Império Romano significava construir caminhos, caminhos, defesas, manter um enorme exército, funcionários. Um aparato gigantesco, bastante parecido com os estados modernos, com o enorme gasto que isso implica.

Como se financiava normalmente esta expansão? Tipicamente, de duas formas. A primeira era o trabalho escravo das conquistas (em crioulo: os romanos não eram de avançada em tudo), e a segunda eram os impostos que cobravam a toda a população, que seriam o mais parecido com o que hoje conhecemos como setor privado. Apesar disso, em algum momento há mais ou menos 2.000 anos, nem mesmo com isso atingia, e os imperadores tiveram a genial ideia de colocar cada vez menos quantidade de prata às suas moedas. Este achicamento de metal nobre dentro da moeda chamava-se Sreaje.

Até aqui, fantástico. Podia ter mais moedas para pagar tudo o que o Império queria fazer, sem gastar. Negócio redondo. O problema surgiu porque a quantidade de coisas que se produziam era praticamente a mesma. A conta é simples: se há mais prata a virar por aí, mas a quantidade de bens é a mesma, o preço dos bens acaba aumentando porque as pessoas começam a “pelear” (económicamente) pelos bens. Quem sabe, talvez algum menino romano tenha que pedir mais moedas ao seu pai para poder comprar maçãs durante o recreio.

Primeira conclusão, O senhor deputado e a inflação beneficiam aqueles que a geram: os Estados.

Estados Unidos em 1929

Fazemos um fast-forward de 1900 anos e atermos numa das piores crises econômicas da história.

A grande diferença que gerou a crise do ‘30 foi que com a enorme recessão, os preços começaram a descer. Uma espécie de inflação inversa: deflação.

O crack do ‘29 deu assim origem a um dos postulados mais conhecidos da teoria keynesiana: segundo esta escola, diante de crise, o gasto público (vejando o exemplo romano, construindo rotas) pode ajudar a recuperar a economia.

O curioso é que inúmeros governos usaram e usam este argumento para justificar aumentos da despesa pública. E, como vimos em Roma antiga, isso em parte redunda em Sreaje. Nos estados modernos, isto é feito emitindo notas.

A escola keynesiana dizia que esta emissão não tinha por que se tornar inflação desde que as pessoas tivessem expectativas de que os preços se mantivessem estáveis ou baixassem (em 1929, isto era verdade). Surge assim a ideia de que sempre que existisse uma ilusão monetária. Em crioulo: embora haja inflação, as pessoas continuam a pensar em percentagem "normal", sem ajuste. Em essência, o governo tem a capacidade de “engañar” a população.

Mas o que acontece se consistentemente o governo usar este mecanismo? Por isso, são precisamente tão importantes as expectativas em economia. Exemplos não faltam.

Segunda conclusão: Os governos podem aproveitar a ilusão monetária, pelo menos temporariamente.

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agustin arnal

Agustin Arnal

Olá! Sou Agus Arnal. Sou apaixonada por criar e desenvolver negócios e resolver problemas. Acho que a minoria mais importante de todas é o indivíduo, e por isso o empreendedorismo, as finanças em geral e as criptomoedas em particular são as três coisas que vivo perseguindo.

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