22/05/2023 - Economia e Finanças

LITIO: REALIDADE E OPORTUNIDADES

Por Juan Carlos Marcolongo

LITIO: REALIDADE E OPORTUNIDADES

O auge do Litio: O elemento cobiçado na era da transição energética

O lítio é um elemento metálico alcalino, dúctil e leve que se tornou um dos minerais mais cobiçados do planeta em virtude da necessidade de substituir as fontes fósseis de energia por “minerais críticos” para a electrificação e, em particular, para a eletromovilidade.

Encontra-se principalmente em salmouras naturais, águas de mar e campos geotermais.

É o metal mais leve conhecido e possui excelentes propriedades para a condução de calor e eletricidade, sendo o carbonato de lítio um dos produtos com maior volume de transação a nível internacional.

Suas múltiplas utilizações explicam a crescente demanda, pois é usado no fabrico de baterias para celulares e carros elétricos, laptops, câmeras digitais e vidros cerâmicos; em forma de sais para evitar e tratar episódios de mania em pessoas com transtorno bipolar, pois é um estabilizador de ânimo, em virtude de sua propriedade de motorista de sinais elétricos.

A “transição energética” posiciona o lítio num contexto de forte concorrência entre as principais potências e mesmo entre países do Ocidente.

A crescente demanda internacional de carbonato de lítio: Classificação da mineração e produção em 2022

II. A crescente demanda internacional de carbonato de lítio, derivou na ativação de projetos mineiros, pois durante a próxima década McKinsey Battery Insights prevê um crescimento na demanda das baterias Li-ion a uma taxa composta anual de quase 30%. O exposto sustenta-se, nas previsões para 2030, não apenas numa forte suba na produção de veículos elétricos, mas também nos sistemas de armazenamento de energia, bicicletas elétricas, electrificação de ferramentas e outras aplicações que requerem uma utilização intensiva de baterias.

Diante desta realidade, é oportuno observar o ranking difundido por Mining Inteligence que destaca os países com as dez minas de lítio de maior produção no mundo, em 2022, posicionando em primeiro lugar Austrália com cinco estabelecimentos que totalizaram uma produção de 67,6 quilotoneladas, seguido pelo Chile com duas minas localizadas no Salar de Atacama atingiram 39,5 quilotoneladas e em terceiro lugar se destacou Argentina com duas operações ativas nas Províncias de Catamarca (Salar do Homem Morto) e Jujuy (Salar de Olaroz) conseguindo 5,8 quilotoneladas. Ao fechar o ranking, os EUA estão com a mina Silver Peak produzindo 2,0 quilotoneladas.

É oportuno assinalar que, o triângulo do lítio na América do Sul, integrado pela Argentina, Bolívia e Chile; posiciona este último país com vantagens comparativas pois exibe condições que o destacam: alta concentração, radiação solar excepcional e ausência de chuvas. Os três países concentram 56% das reservas mundiais desse metal chave para a transição energética e a República Popular da China é o principal queixoso.

Desenvolvimento Minero Metalífero e Litio na Argentina: Retos e Oportunidades Ambientais

III. Em concordância com a realidade internacional, a Argentina atravessa um processo de pleno desenvolvimento do setor mineiro metalífero e de lítio, dispondo de importantes reservas de cobre, ouro, prata e ferro.

O lítio experimenta uma forte demanda para a fabricação de baterias e armazenamento de energia em larga escala, posicionando-se nosso país como um ator-chave no mencionado processo de transição, pois conta com 19 projetos operacionais dos quais 12 produzem ouro, 2 lítio e o resto prata, carvão e zinco.

A conjuntura internacional gerou aumentos nas exportações de lítio do nosso país, atingindo 696 milhões de dólares no ano passado, aumentando 234% em 2021 e participando de 18% das exportações mineiras totais.

Um dos principais desafios para o nosso país consiste em compatibilizar a exploração mineira com a preservação do ambiente, basicamente no que diz respeito aos Humedales Altoandinos e aos recursos hídricos do Altiplano, como consequência da exploração de salmoura de lítio nas ecorregiões da Puna e Altos Andes.

A extração de lítio, em particular através do método evaporífico, implica significativa perda de água e salinização de água doce, significando uma ameaça para os mencionados humedais.

Os ecossistemas estão localizados a mais de 4.000 metros de altura e são vitais para as economias da região, constituindo uma biodiversidade única.

Desafios e oportunidades na promoção da produção e preservação do meio ambiente na Argentina

IV Indudavelmente os desafios a enfrentar são numerosos, mas trata-se essencialmente de ordenar a atividade da Nação em concordância com as Províncias, com políticas que tendam a promover a produção junto à preservação do meio ambiente acompanhada de legislação fiscal e disposições cambiais e de comércio externo, especialmente concebidas para sua promoção e controle.

Ao potencial existente em agroalimentos e energia, soma-se o lítio (carbonato e hidróxido) que já é uma realidade e procura para promover novos investimentos: regulamentação jurídica clara e de acordo com o tempo que nos toca viver em conjunto com um contexto macroeconómico que de certeza a projectos de longo prazo que incluam o fabrico de acumuladores elétricos, para poder incorporar valor agregado e criar mão-de-obra qualificada que permitam industrializar as províncias produtoras.

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juan carlos marcolongo

Juan Carlos Marcolongo

Sou Licenciado em Economia, egressado da Universidade Nacional de Buenos Aires e completé estudos de pós-graduação em Relações Comerciais Internacionais na UNTREF.
Comecei a minha carreira no Banco Central da República Argentina em 1971, trabalhando na Área de Comércio Exterior e também na Gestão de Pesquisas e Estatísticas Económicas.
Finalize o meu trabalho profissional nessa entidade em 1991 integrando a Jefatura de Exportação e Importação.
Em 1992 Introduzi a INDEC, na Direção de Estatísticas do Setor Secundário, elaborando indicadores ligados ao Setor Energético, sendo autor do Indicador Sintético de Energia (ISE), Autogeração e Cogeração de Energia Elétrica e de Biocombustíveis.
Paralelamente à elaboração dessas publicações, exerci a docência universitária durante trinta anos em UBA, Universidade de Palermo e UCES nesta última fui Professor Titular das disciplinas Formação de Cenários Internacionais e Economia.

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