17/04/2023 - Economia e Finanças

O que é o mercado de capitais e como funciona?

Por Gustavo Neffa

O que é o mercado de capitais e como funciona?

O mercado de capitais é o domínio em que se negociam activos financeiros de curto, médio e longo prazo. Este fluxo de poupança e investimento contribui para o desenvolvimento económico, uma vez que os recursos dos aforristas são postos ao serviço dos investimentos produtivos.

Nele se encontram aqueles que poupam e aqueles que buscam financiamento. Mas o mercado de capitais é apenas uma das duas patas sobre as quais se apoia o sistema financeiro, aqui na Argentina e no mundo. Por um lado, encontra-se o sistema BANCÁRIO em que as instituições financeiras intermediárias entre ahorristas e demandantes de empréstimos (entre muitos outros negócios que possuem os bancos). É o financiamento através da intermediação bancária. Por outro lado, encontra-se o MERCADO DE CAPITAIS, no qual se negociam os diferentes instrumentos financeiros a longo prazo, como acções, obrigações e outros títulos. Ali os investidores analisam os riscos com aconselhamento por parte dos próprios intermediários que compram e vendem, ou conselheiros externos adequados.

No mercado de capitais, são criados títulos de dívida (quando é emitido um instrumento de dívida ou são emitidas acções de uma empresa) ou operam a posteriori os mesmos títulos que se viram nascer na sua origem. O primeiro chama-se mercado primário, e o segundo mercado secundário, já se compra e venda sob o guarda-chuva de uma bolsa de valores, que é a que garante as operações que são realizadas.

Os instrumentos financeiros permitem aos investidores obter uma rentabilidade do seu investimento e às empresas obter fundos para financiar os seus projectos e expansões. O governo também é um demandante líquido de fundos para cobrir seu eterno déficit fiscal. O que não pode ser financiado pela dívida é feito com emissão, mas neste segundo caso o risco é a aceleração da inflação.

Os Inversores podem ser indivíduos, ou bem Inversores Institucionais. Entre eles está a Anses (o fundo de pensão do sistema de repartição do governo), os Fundos Comuns de Investimento, as empresas, os bancos e as sociedades de bolsa que operam por conta própria e os sistemas previsionals profissionais (caixas profissionais), entre outros.

Na Argentina, o mercado de capitais é composto por várias entidades: entre elas se encontra bolsas e Mercados Argentinos (BYMA), que é a entidade encarregada de administrar o mercado de capitais, sendo a encarregada de autorizar e supervisionar a negociação dos diferentes valores negociados nas bolsas.

Também participam a Bolsa de Comércio de Buenos Aires (BCBA), que é a principal bolsa de valores do país e a mais antiga da América Latina. A negociação de acções, obrigações, obrigações transaccionáveis ou dívidas das empresas, cheques de pagamento diferidos, letras de câmbio, entre outros títulos é assegurada.

O Mercado Aberto Eletrônico (MAE) é uma plataforma eletrônica de negociação de títulos públicos e privados, um mercado institucional ponto a ponto do qual participam majoritariamente os bancos. O MATBA-ROFEX é a bolsa de futuros por excelência: ali se operam os futuros e opções do dólar, dos principais commodities, bem como o índice Rofex 20 e recentemente os futuros do Bitcoin.

A Lei 26.831 regula integralmente o mercado e a negociação de valores mobiliários, sendo a autoridade de execução a Comissão Nacional de Valores Mobiliários (CNV): é o organismo encarregado de regular e supervisionar o mercado de capitais, assegurando a transparência e o bom funcionamento do mesmo. A CNV é o organismo contralor com poder de polícia sobre os agentes accionistas e as bolsas, além de qualquer intermediário de títulos valores ou instrumentos financeiros. É a que outorga o certificado de aptidão, após exame rendido pelos que desejam ser adequados na matéria. Define o regime da oferta pública (através do qual os instrumentos financeiros são emitidos), as regras de transparência e as melhores práticas no governo das sociedades.

Os mercados devem ser constituídos como Sociedades anônimas, ditar suas regulamentações de funcionamento. Têm a obrigação de aceitar as empresas que desejem “listar-se”. Podem autorizar, suspender e cancelar a lista (ou negociação) de valores negociáveis. Também fixar margens de garantia para os seus agentes (como um seguro para poder operar). Emitem boletins informativos. Organizar os agentes. Devem constituir um fundo de garantia e investir esse fundo onde indicar a CNV. A oferta pública das suas próprias acções e a constituição de tribunais Arbitrais.

No que se refere à operação das bolsas na Argentina, estas funcionam através da oferta e da procura dos diferentes valores negociados (em bolsas ou mercados): as empresas emitem títulos adquiridos pelos investidores, e estes títulos são negociados na bolsa. Os investidores podem comprar e vender esses títulos em função das flutuações do mercado e das suas expectativas de rentabilidade.

Os que podem operar os mercados são os agentes accionistas. E há diferentes figuras. Para atuar como agentes deve-se contar com prévia autorização e registro da CNV, e ficam submetidos à competência disciplinar da CNV. Deber de guardar segredo por operações que realizem por conta de terceiros. As figuras legais são:

  • Agente de negociação – AN.
  • Agentes produtores de agentes de negociação – AP.
  • Agentes de colocação e distribuição – ACD.
  • Agentes de corretagem – AC.
  • Agentes de liquidação e de compensação – ALyC.
  • Agentes de administração de produtos de investimento colectivo.
  • Agentes de custódia de produtos de investimento colectivo.
  • Agentes de depósito coletivo – ADC.
  • Agentes de notação de risco - ACR.
  • Agentes assessores globais de investimento – AAGI.
Os agentes operam, mas a custódia dos títulos é centralizada na Caixa de Valores, onde se guardam os títulos para evitar que sejam manipulados por terceiros.

No mercado de capitais argentino operam-se uma variedade de instrumentos financeiros, entre os quais destacam:

  • Acções: são títulos que representam uma parte alíquota do capital social de uma empresa, ou seja, uma percentagem de propriedade na mesma.
  • Bonos: são instrumentos de dívida que emitem empresas ou o Estado, a fim de obter financiamento. O emitente compromete-se a devolver o capital investido numa determinada data, juntamente com os juros correspondentes.
  • Letras do Tesouro: são títulos de dívida emitidos pelo Estado Nacional, que são utilizados como instrumento de financiamento do défice fiscal. Têm um prazo de curto ou médio prazo e oferecem uma taxa de juro determinada.
  • Fideicomissões financeiras: são um conjunto de ativos financeiros agrupados num fundo comum de investimento, que se divide em quotas ou partes iguais, e que são vendidas a investidores.
  • Opções e futuros: são instrumentos financeiros derivados, que permitem aos investidores especular sobre o preço futuro de um ativo, como uma ação, um índice de ações, uma matéria-prima, entre outros.
  • Caução da bolsa: é um contrato pelo qual um investidor presta fundos a outro, em troca da entrega de títulos valores que atuam como garantia da operação.
Cada um destes instrumentos financeiros tem características e riscos particulares, e é importante ter informações detalhadas e aconselhamento antes de investir neles.

  • RENTA FIJA: os termos e condições da emissão são conhecidos desde o início. Os fluxos de fundos estão por omissão. A rentabilidade pode ser calculada previamente.
  • RENTA VARIABLE: no momento do investimento inicial, desconhecem-se os fundos que serão obtidos em troca. Dependem da evolução da empresa, do seu preço no mercado, do contexto económico e financeiro, etc. Os fluxos de fundos não estão por omissão. Exemplo típico: as ações (e os Cedears de empresas estrangeiras, que são cerca de 300 ações estrangeiras listadas em ByMA e podem ser compradas em pesos).
Nunca é tarde para começar a operar na bolsa. A aconselhar-se bem, escolher um bom agente para operar e fazê-lo de maneira prudente conhecendo nosso próprio grau de aversão ao risco. Toda vez que um instrumento é emitido, o emitente com a ajuda de advogados e a empresa (ou o Estado, dependendo do que é emita) deve elaborar o folheto informativo é o documento básico através do qual a oferta pública é feita: é o documento que contém informações sobre a emissora dos valores mobiliários (económica, financeira, patrimonial, contabilista, directores, accionistas principais, etc.), as características dos valores transaccionáveis a emitir, os factores de risco da emissão e outras informações sobre a emissão dos valores. Sua função real é condensar os aspectos operacionais da emissora e as principais regras do contrato a subscrever.

No Folheto Informativo vão encontrar informações detalhadas sobre o que é emitido, mas uma vez emitido é a informação nova que vai chegando o que mobiliza os preços dos ativos nos mercados, vai se incorporando ou “descontando” nos preços. Quanto mais informação melhor, mas a não ser saturada, do que num mundo digital e da informação como o atual é fácil de se sentir.

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gustavo neffa

Gustavo Neffa

Sou Gustavo Neffa. Diretor de Economia e Finanças no FinGurú. Parceiro e diretor da Research for Traders, liderando uma equipe de analistas de mercados. Eu desempenhoi os últimos 24 anos no setor financeiro tanto em entidades domésticas como de capitais estrangeiros, tendo ocupado o posto de Analista de Research Senior em Macrosecurities do Banco Macro e no BBVA Banco Francês, além de analistas econômicos junto ao economista-chefe do BBVA Banco Francês. Também sou professor em matéria de Finanças Corporativas, Administração de Carteras de Investimento, Valuação de Activos Financeiros, Valuação de Projetos de Investimento e Finanças Internacionais em diversos MBAs e cursos de pós-graduação em Buenos Aires e no interior do país e professor do MBA da UNLP e da UNNE de avaliação de ativos financeiros, e da pós-graduação em Mercado de Capitales da UBA em convênio com ByMA. Codiretor do Programa de Finanças Avançado da UNLP.

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