17/08/2022 - Economia e Finanças

Estamos cientes do que representa uma oportunidade?

Por Horacio Gustavo Ammaturo

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A Gênesis 41 da Bíblia nos fala sobre a interpretação que José fez sobre um sonho que teve o Faraó do Egito, algo que lhe causou grande angústia, a tal ponto de recorrer ao patriarca para encontrar uma explicação.A transcrição do texto servirá de descrição:“... do rio tinham sete vacas de grossas carnes e bela aparência, que paciam no prado, e que outras sete vacas tinham depois delas, flacas e de muito feo aspecto; tão extenuadas, que não vi outras semelhantes em fealdade em toda a terra do Egito. E as vacas flacas e feas devoravam as sete primeiras vacas gordas; e estas entravam em suas entranhas, mas não se conhecia que tivessem entrado, porque a aparência das flacas era ainda ruim, como no princípio".Algo semelhante ocorreu com outro sonho posterior, exceto que neste caso em vez de vacas eram espigas de trigo:"...sete espigas cresciam em uma mesma cana, cheias e belas. E que outras sete espigas menudas, marchitas, abatidas do vento sóno, cresciam depois delas; e as espigas menudas devoravam as sete espigas bonitas. ”A interpretação que José disse aos relatos apontou que cada vaca ou espiga representava ciclos, que depois com o tempo, o saber popular associou que cada um se correspondia a um ano calendário, que as vacas gordas e de bonita “aparência” se relacionavam com momentos de acumulação de recursos e riqueza, que as espigas com as possibilidades de contar com alimentos abundante, enquanto as vacas flacas e as espigas menudas correspondiam a períodos de dificuldade na geração de recursos, riqueza e provisão de alimentos suficientes.De acordo com as escrituras o Faraó entendeu a mensagem.No momento de tais sonhos, o império atravessava por um ciclo de bonança, em consequência, decidiu resguardar parte da produção e da riqueza para possíveis momentos de escassez e dificuldade, situações que, de acordo com a Bíblia, ocorreram posteriormente e que graças às ações empreendidas puderam sortear com alguma vantagem.Esta história oferece várias mensagens.Por um lado, o do poupança e cuidado dos recursos para que se utilizem quando são necessários, para que se aproveitem quando fluem e se utilizem quando se espalham.Por outro lado, apesar de fazer o que fizer, uma vez que começou um ciclo de escassez há que esperar que aconteça e administrar os recursos acumulados de forma austera para que alcancem o maior tempo possível.Estas duas mensagens podem ser sintetizadas em que, quando estamos nas boas, guardemos alguma coisa pelas dúvidas e que nas más, por vezes, muito do que fizermos dificilmente possa mudar a situação.A mensagem de fundo parece ser que Os ciclos são inevitáveis e que a melhor maneira de enfrentá-los é com o entendimento de que ambos são passageiros, os de expansão e os de merma.Para isso serve economizar e gerenciar sem desesperar.No entanto, há um conceito que se expressa mediante a utilização da palavra “aparência” que é revelador e ao mesmo tempo estimulante, pois serve como guia para orientar as nossas forças em cada ciclo.Em maior ou menor medida, o mundo, as nações, as empresas e as pessoas passamos por ciclos em que podemos acumular reservas e outros em que devemos consumir, de fato, para isso as guardamos.Se relacionamos cada um dos momentos de expansão ou retração e acompanhamos o decorrer de cada ciclo, sem resistência, aceitando que são passageiros e circunstanciais, podemos encontrar oportunidades que cada uma deles.Obviamente que, quando os recursos fluem, o gado e as culturas são fortes, isto é, quando temos trabalho ou os negócios geram bons rendimentos, a lógica indica que devemos aproveitar o vento a favor, trabalhar mais horas, empreender projetos ou assumir mais riscos, sempre com o objetivo de guardar algo, pelas dúvidas.Tomar longas férias, fechar o negócio mais cedo ou até mesmo destinar mais tempo do que o habitual para questões domésticas reduzirão nossas possibilidades de aproveitar ao máximo a oportunidade que o ciclo propõe.Em vez disso, quando as vacas são flacas, tal como ditam as escrituras, por mais esforço que façamos em alimentar as vacas gordas do passado, as flacas continuarão a ser fracas e menudas.São momentos em que os esforços adicionais carecem de compensação, nos quais a relação custo-benefício é negativa, ou seja, que quanto mais produzimos ou trabalhamos mais perdemos.Situações como estas são, infelizmente, habituais em nosso país.Os momentos de estagnação e depressão na atividade econômica podem servir de oportunidade, para quem tem economias suficientes oriente suas atividades diárias para a família, o esparcimento e a capacitação.Parar a roda significa ver de fora nossa própria vida e pode servir para balancear entre trabalho, esparcimento e aquisição de conhecimento.É claro que na maioria dos casos é muito difícil ou impossível deixar de trabalhar de acordo com o que resultem os ciclos gerais ou pessoais, no entanto, o que pretende esta interpretação é colocar sobre a mesa a ideia de que muitas vezes as coisas vão num sentido apesar do que fazemos e que o melhor é acompanhar o movimento com o entendimento que a vida nos convida a colocar o foco em outras coisas, talvez mais importantes do que o trabalho e o dinheiro, como são nossas famílias, amigos, conhecimentos, habilidades ou até nós mesmos.A Argentina convida muito a replante-nos se convém empreender, trabalhar mais duro ou fazer horas extras, são estes momentos em que devemos fazer muito bem as contas e descobrir se estamos diante da oportunidade de desfrutar mais do descanso e da capacitação do que do trabalho a qualquer preço.Estamos verdadeiramente conscientes do que representa uma oportunidade para nós frente a cada ciclo?

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Horacio Gustavo Ammaturo

Chamo-me Gustavo Ammaturo. Sou licenciado em Economia. CEO e Diretor de empresas de infraestrutura, energia e telecomunicações. Fundador e mentor de empresas de Fintech, DeFi e desenvolvimento de software. Designer de produtos Blockchain.

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