Na quinta-feira, 4 de junho, foi confirmada a notícia da morte de Marjane Satrapi, desenhista e escritora iraniana. Sua obra-prima Persépolis se tornou um documento fundamental sobre a resistência da mulher diante da opressão autocrática que as mulheres sofrem nas mãos do regime dos aiatolás no Irã.
Titulada em homenagem à capital do Antigo Império Persa, vítima de um incêndio pelas mãos de Alexandre Magno, Persépolis narra a história de Marjane - a autora - uma menina como qualquer outra, que frequenta uma escola francesa e gosta de cinema ocidental. Seus pais são militantes de esquerda e se opõem ao Sha, monarca que governou o Irã com mão de ferro. Apesar dos vínculos de sua família com a nobreza, Marjane deve ser testemunha do assassinato e tortura de seu tio favorito nas mãos da ditadura monárquica do Sha.
Por volta do ano de 1978, uma onda de manifestações ocorreu em todo o país. Os excessos e a arrogância do Sha - que vivia em luxo enquanto seu povo mergulhava na miséria - haviam esgotado a paciência dos iranianos. Em decorrência dessas protestas, surgiu uma Revolução, que inicialmente buscava devolver a dignidade ao povo, mas que acabou instaurando um regime teocrático que ainda está em pé.
Para a pequena Marjane, as mudanças não demoram a se tornar visíveis. Ela deve usar um véu na escola e as professoras começam a reprimir seus comentários opositivos ao governo. Sua mãe teme por sua vida - a repressão infligida às mulheres dissidentes é muito mais cruel do que a sofrida pelos homens - e decide enviá-la a Viena.
Ali, Marjane conhece a liberdade e a discriminação, a contracultura e a humilhação de seus colegas devido à sua nacionalidade. Cansada de ser tratada com arrogância e desprezo, Marjane volta para seu país para cursar os estudos universitários. Mas, apesar da alegria de poder acessar a educação superior, a agora jovem Marjane deve sofrer as restrições patriarcais impostas pelo regime teocrático. Sem saber para onde ir, decide voltar para a França, onde permaneceu até sua morte.
Persépolis é uma obra fundamental que aborda muitos tópicos relevantes para a sociedade do século XXI: a própria identidade, a fidelidade a si mesmo e a luta por seus próprios ideais.
Quando o futuro do Irã é debatido entre a teocracia e a ingerência estrangeira, Persépolis nos lembra da luta de uma geração de militantes da esquerda laica e revolucionária, que deram suas vidas para construir um Irã justo e democrático para todos os seus habitantes.


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