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Intensamente 2 e sua relação com a Terapia Cognitivo-Comportamental

Por Agostina Píngaro

Intensamente 2 e sua relação com a Terapia Cognitivo-Comportamental

Há algumas semanas foi lançada uma animação da Pixar, que como todos os seus clássicos, não é apenas para os mais pequenos, mas nos convida a todos a desfrutá-los e refletir sobre eles.

Divertidamente 2 nos convida a adentrar na mente de Riley, uma jovem de 13 anos, e acompanhá-la em sua nova aventura de transição para o ensino médio.

Uma das coisas mais interessantes do filme e que podemos muito assemelhar à teoria de Aaron Beck, conhecido como um dos pioneiros da Terapia Cognitivo-Comportamental, é a representação do sistema de crenças de Riley.

O sistema de crenças é, segundo Beck, e dito de forma muito simples, um sistema interno que funciona como um mapa e nos permite dar sentido ao mundo ao nosso redor. Essas crenças são construídas por meio da experiência direta e vão se generalizando ao longo da vida dos sujeitos. Esse sistema é composto basicamente por três níveis distintos.

Em um nível mais superficial encontramos os Pensamentos Automáticos. Esses são diálogos internos, cognições breves ou situacionais, que emergem na consciência sem necessidade de raciocínio por parte do sujeito. Estão um pouco mais fora do controle do sujeito. No filme, são bem representados quando vemos "o fluxo da consciência" pelo qual passam um monte de imagens que à primeira vista pareceriam não ter conexão ou sentido, mas que são imagens suscitadas em situações particulares. Por exemplo, quando Riley come uma barra de cereal que não gosta e desencadeia todo tipo de pensamentos que vão "fluindo" por esse fluxo. Em um nível um tanto mais complexo encontramos as Crenças Intermediárias, que têm a ver com certas regras ou suposições que temos e que geralmente guiam nossas ações ou interpretação dos fatos. Essas crenças, como bem mostrado no filme, são construídas a partir de diferentes experiências na vida de Riley e se "fixam" na mente através de memórias. Finalmente, encontramos as Crenças Nucleares ou Centrais, que são representadas no filme como o sentido de "identidade" de Riley. Essas crenças consistem em julgamentos, avaliações ou definições fundamentais e globais que temos sobre o mundo, os outros e nós mesmos. São justamente globais e um tanto mais rígidas do que os níveis anteriores.

Beck propõe que uma vulnerabilidade intrínseca para desenvolver psicopatologias como depressão ou ansiedade é possuir um sistema de crenças disfuncional ou desadaptativo. Esses sistemas levam a que o sujeito em geral cometa erros no processamento das informações, os quais a terapia cognitiva chama de vieses ou distorções cognitivas. Seriam erros de interpretação com um tom negativo. No filme, de modo artístico, é apresentada a mente de Riley quando é governada por pensamentos mais ansiosos ou crenças negativas ou catastróficas relacionadas com a incompetência de Riley.

Segundo a teoria cognitiva, esse sistema de crenças pode ser desafiado por meio de diferentes técnicas cognitivas e comportamentais, que ajudem a pessoa a viver uma vida mais adaptativa e em consonância com seus valores. No filme, observa-se como a visão de Riley sobre os fatos e suas ações conseguem mudar drasticamente quando a emoção Ansiedade deixa de ter o controle do comando das emoções da jovem, e ela consegue interpretar os fatos de forma diferente, conseguindo se reconciliar com suas amigas.

Em resumo, embora obviamente continue sendo um filme, e nem tudo esteja representado de forma exata, acredito que Beck teria gostado muito deste filme, e para nós psicólogos que trabalhamos com terapia cognitivo-comportamental, nos oferece muito material para usar nas sessões!

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agostina pingaro

Agostina Píngaro

Sou Agos, Psicóloga recebida da Universidade de Buenos Aires (UBA) com orientação Cognitivo - Condutaual. Atualmente sou Residente de Psicologia Infanto Juvenil no Hospital Geral de Crianças Pedro de Elizalde - Ex Casa Cuna.

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