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"¿E se não for a inflação? Os prefeitos que encarecem a comida e asfixiam o comércio local"

Por Julian Galeano

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Enquanto o Governo nacional reduz impostos para tentar aliviar as consequências da inflação, vários municípios do país —especialmente na província de Buenos Aires— avançam em sentido contrário: aumentam taxas locais que são calculadas sobre receitas brutas, sem descontar custos, e que acabam impactando diretamente no preço final que o consumidor paga. Na prática, funcionam como um imposto ao consumo disfarçado de “taxa por serviços”.

Onde esse problema se torna mais visível é nos hipermercados e supermercados.

Em Lanús, a taxa municipal alcança 6,36% sobre a faturamento total. Em Hurlingham, chega a 4,5%; em Pilar, a 4,5%, além de uma nova Taxa de Proteção Ambiental de 2% que também acaba refletida no ticket; em Quilmes, a alíquota é de 3,74%. Em Villa Mercedes, San Luis, sobe para 4,5%. Não se trata de porcentagens abstratas: são encargos que as cadeias transferem para o preço final. Cada vez que uma família compra pão, leite ou óleo, já está pagando esse custo municipal, muitas vezes sem sequer perceber.

O problema não termina na prateleira.

Para quem quer abrir, manter ou ampliar um comércio, a pressão é ainda maior. Em Pilar, a carga combinada entre a Taxa de Inspeção de Segurança e Higiene, a taxa ambiental, a manutenção de vias e outros conceitos supera facilmente 6,5% sobre o faturamento. Em Luján, gira em torno de 5,7%: 4,2% de Segurança e Higiene mais 1,5% ambiental. Em Villa Carlos Paz, Córdoba, a taxa aplicada à indústria chega a 3,6%. Todas essas cargas têm algo em comum: são calculadas sobre vendas brutas e se acumulam em cada etapa da cadeia produtiva, desde o fornecedor até o comércio final. O resultado é óbvio: preços mais altos, menor rentabilidade e menos incentivos para investir ou gerar emprego.

O contraste entre municípios também expõe até que ponto essas decisões condicionam a atividade privada. Há poucos dias, o ex-prefeito de Tres de Fevereiro e atual senador Diego Valenzuela denunciou judicialmente que La Matanza cobra taxas às empresas até quatro vezes mais altas que distritos vizinhos. O caso que ele apresentou é eloquente: duas fábricas idênticas de suéteres, separadas apenas pela avenida República. Em janeiro de 2025, a situada em Tres de Fevereiro pagou $234 mil em taxas municipais; do outro lado, em La Matanza, a mesma empresa pagou $8,9 milhões. A diferença também é visível por metro quadrado: $308 contra $1.100. Não é um detalhe técnico: é o tipo de pressão que define onde uma empresa se instala, investe ou se retira. Por isso, bancos como Santander e Nación se mudaram para Tres de Fevereiro, e empresas como Mercado Livre e FEMSA escolheram se estabelecer lá.

Enquanto a Nação elimina tributos distorcivos e busca dar sinais de alívio fiscal, muitos prefeitos continuam sobrecarregando o setor privado com mais pressão, mais burocracia e mais custo.

Não é um problema de falta de recursos. É, sobretudo, um problema de prioridades. Em vez de revisar os gastos políticos e melhorar a eficiência do Estado local, preferem manter esquemas que penalizam o consumo e frenam a atividade.

A indústria e o comércio bonaerense já suportam uma das pressões tributárias locais mais altas do país. E, como sempre, o custo final não é absorvido pela política: é pago pelo vizinho. Ele paga quando compra no supermercado e paga quando tenta manter um negócio. Também existem exceções, como Tres de Fevereiro, que mostram que outro caminho é possível: reduzir taxas, atrair investimentos e gerar emprego.

Se de verdade se busca que os preços diminuam e que haja mais comércios abertos, a solução não passa somente pela Casa Rosada. Também passa pelos municípios. Os prefeitos que continuam aumentando taxas em um país que tenta sair da inflação não estão cuidando do vizinho: estão encarecendo sua vida.

Se você quiser, posso fazer agora uma versão ainda mais afiada e mais de coluna política, com um tom mais parecido ao de um editorial.

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Julian Galeano

Julian Galeano

Sou um comunicador especializado em estratégias digitais e produção de conteúdo político. Na minha adolescência, me formei no mundo do rádio e me graduei como Locutor no I.S.E.R., onde aprofundei em narração, oratória e construção de mensagens. Trabalhei como assessor de dirigentes e equipes em campanhas eleitorais, comunicação estratégica e posicionamento digital. Atualmente, dirijo a Praset, empresa dedicada à comunicação digital, e coordeno editorialmente a PoliticAnalizada.

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