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"Argentina importa desinformação feita na Rússia"

Por Poder & Dinero

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Em 24 de agosto de 2024, em um jogo da Copa Argentina no estádio do Independiente, barras bravas do Huracán, tornados em analistas de política internacional, penduraram uma bandeira de vinte por dois metros em uma das arquibancadas do estádio. O pano trazia a frase “Sim ao futebol, não à guerra” com uma bandeira argentina em uma extremidade e, na outra, a da Ucrânia riscada com uma grande cruz preta. O gesto despertou algumas reações de surpresa entre usuários das redes sociais, mas passou majoritariamente despercebido na Argentina.

Por outro lado, foi cuidadosamente registrado em um relatório de inteligência russo vazado pelo meio africano The Continent e compartilhado com um consórcio de meios de investigação que inclui a openDemocracy (Grã-Bretanha), Dossier Center e iStories (Rússia), All Eyes on Wagner e Forbidden Stories (França) e Filtraleaks (Argentina) e dois jornalistas independentes de língua russa. O documento é um dos 76 de um total de 1431 páginas que compõem a filtragem, a qual detalha as atividades de um grupo de espionagem russo chamado A Companhia na África e América Latina. Os meios europeus do consórcio vêm publicando artigos detalhados baseados na filtragem há mais de um mês sem que o governo russo tenha tentado desmenti-los ou responder a ofertas de direito de resposta.

No caso da Argentina, os documentos mostram que em abril de 2024 A Companhia lançou uma campanha midiática e política de seis meses para desacreditar o governo de Javier Milei. Naquela época, a relação com o presidente ucraniano Volodimir Zelenski, que esteve presente na inauguração de Milei, era chave para sua política externa. O presidente argentino seguia à risca os alinhamentos dos Estados Unidos, que na época era governado por Joe Biden e estava firmemente alinhado com Kiev na guerra contra a Rússia. Após a posse de Donald Trump em janeiro de 2025, os Estados Unidos se distanciaram da Ucrânia e a Argentina seguiu seus passos. Assim, a campanha de desinformação russa na Argentina perdeu seu principal objetivo e foi descontinuada.

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