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Ser jovem na Argentina hoje: identidade, estética e a necessidade de dizer "aqui estamos"

Por Milagros Abril Arrascaeta

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Ser jovem na Argentina hoje não é uma experiência linear nem confortável. É, mais precisamente, um exercício constante de adaptação. Crescemos ouvindo falar de crises, de futuro incerto, de oportunidades que parecem estar sempre um pouco mais distantes. No entanto, em meio a esse cenário, as juventudes não ficam paradas: criam, transformam e encontram na cultura uma forma de se sustentar.

A identidade jovem se constrói em movimento. Não é fixa nem homogênea. Está atravessada pelo digital, mas também pelo território; pelo global, mas profundamente marcada pelo local. Somos uma geração que vive com o celular na mão, mas com os pés em um país carregado de história, memória e contradições.

A música aparece como um dos modos mais potentes de expressar o que sentimos. O trap, o rap e a cena urbana não só mudaram o som de uma época, mas também sua forma de se contar. Nessas letras há cansaço, ambição, desejo, bairro, frustração e esperança. Não se trata apenas de ritmos cativantes: são narrativas que falam sobre o que significa crescer hoje, de querer mais sem saber bem como chegar.

As redes sociais se tornaram novos espaços culturais. Ali não se consome apenas conteúdo: constroem-se identidades. TikTok e Instagram funcionam como palcos onde as juventudes ensaiam quem são, o que lhes importa e como querem ser vistas. A estética (as roupas, os gestos, as cores, a música que acompanha um vídeo) deixa de ser superficial e se torna mensagem. Mostrar-se também é uma forma de dizer.

A linguagem acompanha essa transformação. As palavras mudam, se encurtam, se misturam, se ressignificam. O humor, a ironia e os códigos compartilhados criam comunidade. Longe de empobrecer a cultura, essa reinvenção constante demonstra que a linguagem está viva e que as juventudes a usam para marcar pertencimento, para se reconhecerem entre pares, para não se sentirem sozinhas.

Embora às vezes pareça invisível, a memória coletiva segue presente. A história argentina aparece filtrada em canções, produções artísticas, debates digitais e expressões culturais. Não sempre de maneira explícita, mas sim como um eco que atravessa gerações. A identidade jovem não nega o passado: a traduz em sua própria linguagem, a ressignifica e a integra à sua experiência cotidiana.

Ser jovem na Argentina hoje é, em muitos sentidos, resistir. Resistir à apatia, ao desencanto, ao silêncio. Mas não a partir de grandes discursos, e sim do cotidiano: criando, compartilhando, expressando-se. A cultura se torna então um refúgio, mas também uma ferramenta. Um espaço onde as juventudes não só sobrevivem, mas dizem “aqui estamos”, mesmo quando tudo parece instável.

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Milagros Abril Arrascaeta

Milagros Abril Arrascaeta

Sou Milagros Arrascaeta, estudante de Relações Internacionais e Comunicação Social. Tenho interesse em contar histórias que cruzem a cultura, os direitos humanos, a história e a comunicação, com um olhar jovem, sensível e comprometido com o contexto social que habitamos.

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