02/05/2023 - Política e Sociedade

A Coreia, o novo gigante da cultura asiática.

Por Martin Knoll

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A cultura coreana está em tudo, na música, cinema, comida, tecnologia, filosofia, maquiagem e muitas outras coisas, nesta nota veremos quem consome essa cultura, como chego ao mundo e falamos com fontes para nos contar mais.

Uma noite de sábado no bairro de Flores não soa como um plano incrível à primeira vista. Mas ao entrarmos numa pequena rua toda a paisagem muda. A rua Ruperto Godoy é hoje conhecida como um dos centros de cultura coreana em Buenos Aires. É uma rua que ao entrar te encandila com suas luzes tênuas e suas paredes ostentadas com muralhas de ídolos do presente e passado. Neste trecho encontram-se grupos de pessoas a provar a cultura coreana, sua música, sua comida, seu todo. Mas como foi que uma cultura como a da Coreia cruzou 18.000km até a Argentina. A resposta pode ser resumida em uma palavra “Hallyu”.

O que é o Hallyu?

El Hallyu ou é espanhol ola coreana, foi um movimento que deu origem à expansão da cultura coreana em todo o mundo. Esta expansão inclui tanto música, cinema, arte, comida, filosofia e forma de viver em geral. A sua origem foi no início da década de 1990 e se deveu a diversos fatores que, em maior ou menor medida, se deram no início da sexta republica coreana, que não só voltou a permitir que cidadãos coreanos voltem a viajar pelo mundo, mas também impulso a que várias companhias a que se globalizem, como Samsung ou LG, e saco várias das leis de censura que tinham vigência na nação sul-coreana.

No seu artigo sobre Hallyu, Martin Roll, um especialista em economias asiáticas, nos conta que: “Tudo o que fez falta foi, por um lado, uma forte base de talentos de coreanos jovens e enérgicos, e por outro, um ambiente cultural muito propício na Coreia, apoiado pela excelência operacional, juntos estes dois fatores, constituiram uma base excelente para que os jovens coreanos vivenciassem com a música, o teatro e o cinema.” Mas, se há algo pelo qual o Hallyu se encontra em nível global e que hoje continua a retumbar nos parlantes de todas as nações é o K-pop.

Como é que ele chegou. Hallyu à Argentina?

Hoje em nosso país, a comunidade coreana é composta por 70.000 pessoas, tendo em conta tanto a geração de coreanos que emigraram como os já nascidos aqui. Estes foram inicialmente rejeitados pela cultura argentina, mas com o arribo do Hallyu Estes puderam começar a ganhar o seu lugar entre a sociedade. Mas acontece com as pessoas que não fazem parte da comunidade coreana.

Desde a editora nos comunicamos com Martina Cristino Hayez, licenciada em relações internacionais na Universidade de Belgrano e especialista em estudos coreanos na Universidade dele Salvador: “Se bem o Hallyu está caracterizado por uma estrutura e estética sofisticada, na América Latina seus principais receptores são grupos sociais marginalizados, que infelizmente abundam na região”. Ele nos comenta a licença.

Que caracteriza as pessoas que escuta K-pop?

Um dos movimentos mais importantes que o Hallyu trouxe foi o K-pop. Este fenômeno teve origem na década de 90. Hoje é um gênero instaurado tanto na Coreia como em todo o mundo. Os artistas, ou idols como se conhece na área, não só cantam e dançam em seus videoclipes, mas também atuam em séries, são personalidades da televisão e têm seus produtos de maquiagem e perfumeria.

Para caracterizar os seguidores do K-pop e entender o efeito do Hallyu Na América Latina, Martina Cristino Hayez nos descreve dois fatores que devemos ter em conta. “Desde o ponto de vista da personalidade, assim como os fãs de animé em geral compartilham características de tipo introvertidos, de gostos que saem do cotidiano, os fãs latino-americanos de K-pop também.” Mas depois nos comenta talvez uma característica menos visualizada: “Desde o ponto de vista do status econômico-social, os fãs de K-pop latino-americanos pertencem maiormente à classe média-baixa. ”

A partir de qualquer uma das duas perspectivas, o Hallyu funciona como uma rota de escape para uma parte da sociedade marginalizada do mainstream. “O Hallyu possui uma abundância de elementos que o traz a um de volta, um exemplo típico é ter seu K-pop idol favorito que atua em um K-drama e fala coreano então eu sigo tudo o que faz e aprendo a língua para poder entender, tudo isso termina por criar um ciclo onde um não sai da cultura coreana. Isso consegue criar um espaço de fantasia onde tudo é perfeito e podem aspirar a isso.” Adicione a especialista.

E o cinema coreano? Como entra em tudo isso?

Mas a imagem coreana ao redor do mundo não se vê apenas marcada pelo K-pop. Se hoje perguntas a uma pessoa entre 25 e 60 anos O que é o último que consumiram? o mais provável é que lhe dêem um nome: “O jogo do calamar”. A série aclamada da Netflix deu um salto gigante para chegar ao lugar que poucas séries da Coreia tinham conseguido. Mas para que esta série pudesse dar este grande salto, antes um filme teve que dar um grande passo, e esse filme foi “Parasite”.

A obra de Boon Joon-Ho conquista saltar com tudo o estabelecido e transformar-se no primeiro filme internacional em ganhar o prêmio para melhor filme nos prêmios Oscars. Não só isso, mas segundo a revista Polygon, conseguir ser o primeiro filme a atingir o milhão de 5 estrelas na rede social Letterboxd. Graças a esta produção, muitas pessoas puderam acessar o cinema coreano, e é incrível que toda esta cultura que vemos através do ecrã hoje possamos encontrar não só em uma rua de Flores, mas também no Bairro Chinês, em convenções, em redes sociais em nossa língua e onde você o procure.

Martin Knoll

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Martin Knoll

Olá, sou Martin Knoll, um jovem amante do cinema, videogames e música. Estudante de Ciências Sociais e Comunicação e Jornalismo na Universidade Torcuatto. Eu gosto de pensar sobre os problemas do futuro e presente, sobre a cultura e a arte.

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