“Democracia sob estresse e transformação da ordem global”, de Robert Evan Ellis, analisa a convergência de fatores que, segundo o autor, estão enfraquecendo simultaneamente a democracia, a prosperidade e a segurança internacional.
Ellis sustenta que a frustração cidadã com governos que não conseguem responder a problemas materiais, insegurança e corrupção está alimentando o crescimento de alternativas populistas e autoritárias. A isso se soma o impacto das redes sociais e da inteligência artificial, que facilitam a circulação de informações, mas também a desinformação, a polarização e a manipulação.
Um dos principais eixos da análise é o ascenso da China e sua crescente capacidade para oferecer um modelo alternativo ao ocidental. Ellis adverte que as tecnologias de vigilância e controle desenvolvidas por Pequim podem ampliar enormemente a capacidade dos Estados para controlar seus cidadãos, e observa que algumas dessas tecnologias já foram incorporadas por governos latino-americanos.
O autor também identifica uma transformação da ordem internacional baseada em regras, impulsionada pelo crescente poder chinês, pela cooperação de Pequim com governos autoritários e por um menor compromisso estadunidense com as instituições multilaterais tradicionais. Paralelamente, drones, inteligência artificial, ciber-guerra e sistemas autônomos estão concedendo a Estados pequenos e atores não estatais capacidades para desafiar potências muito maiores.
Outro ponto central é o impacto econômico da IA e da robótica. Ellis avisa que a automação poderia destruir postos de trabalho a uma velocidade superior à capacidade das sociedades para gerar novas ocupações, provocando tensões sociais e políticas que poderiam fortalecer novamente movimentos populistas e autoritários.
Finalmente, Ellis sugere que a China poderia superar progressivamente os Estados Unidos em áreas como tecnologia, inteligência artificial, robótica, economia e influência estratégica. Ele considera especialmente sensíveis a competição pelo Indo-Pacífico, Taiwan e a crescente presença chinesa na América Latina.
Sua conclusão é que as democracias devem fortalecer suas instituições, educação, transparência, capacidade tecnológica e alianças internacionais. Para Ellis, preservar a liberdade, o Estado de direito e os direitos individuais será fundamental frente a um cenário mundial caracterizado por maior competição entre democracias e regimes autoritários, revolução tecnológica e possíveis choques geopolíticos.
Robert Evan Ellis — Associado Sênior (Não Resident) do Programa das Américas, Center for Strategic and International Studies (CSIS).

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