12/06/2023 - Política e Sociedade

Erros não forçados

Por Horacio Gustavo Ammaturo

Erros não forçados

No mundo do esporte, principalmente no tênis é usado frequentemente a expressão “erro não forçado”.

É usual encontrar, quando se analisa um jogo, os comentaristas considerarem que jogador comete maior quantidade deles.

Os erros forçados são aqueles em que uma ação do rival obriga a falhar outro jogador, por exemplo uma pilha poderosa ou uma mudança de direção bem simulada que o impede de chegar com precisão.

Em vez disso, os não forçados são os pontos que se perdem em situações confortáveis, previsíveis e habituais no jogo, nas quais as falhas são atribuíveis exclusivamente ao concorrente que as comete.

Nesses casos, o resultado depende mais da má prática do perdedor que da habilidade, estratégia e preparação do adversário que ganhou o ponto.

Nestes dias, observamos que tal como no desporto, na política acontece algo parecido.

A chegada de uma nova força política: o fim da velha política?

Estamos a aproximar-nos dos próximos actos eleitorais onde a disputa provavelmente se defina entre aqueles que menos erros não forçados cometeram e, na verdade, todos os candidatos são prolíficos deles.

De acordo com as sondagens, os partidos majoritários de antes partilham o seu fluxo eleitoral com uma nova força.

Uma força sem antecedentes na gestão pública, sem aparelho político nacional, mesmo que não haja candidatos locais em muitas das jurisdições.

No entanto, todos falam dela e muitos cidadãos comprometeram o seu voto, pelo menos na prévia, no seu apoio.

São claros os motores que impulsionam tal crescimento exponencial e vertiginoso, raiva e falta de confiança na adequação e moral das propostas passadas.

Grande parte da cidadania tem se cansado das experiências vividas com as sugestões das outras alternativas, desconfiando dos aparelhos políticos que perseguem mais os próprios interesses do que os de seus representados e preferem entregar o poder a alguém desconhecido.

A velha política parece concentrar sua estratégia exclusivamente no antigo refrão de “mais vale ruim conhecido que bom por conhecer”, algo que poderia perder sua vigência nas próximas eleições.

Os resultados das administrações passadas foram tão magros que nem o medo do desconhecido parece sustentar as propostas tradicionais.

O “Frente de todos” já não é de ninguém e em “Juntos pela Mudança” parecem estar hoje mais separados e sem mudanças para propor.

Tornou-se a prática exatamente o contrário que sua denominação propõe evidenciando que seus interesses são, pelo menos aparentemente, opostos ao que pregam desde sua mismíssima denominação. Algo que a nova força resume como casta e cargos.

Será assim?

A acumulação permanente de erros não forçados das outras forças majoritárias catapultam para a nova proposta, ainda que seus detractores assinalam que são inviáveis, restritivas ou malintencionadas.

Algumas das críticas mais comuns são:

Falta experiência na administração pública.

Falta de estrutura para o exercício do poder a nível nacional e muito mais regional.

Algumas das propostas significam mudanças radicais que podem afetar muito os sectores que mais ajustaram durante estes anos.

Ainda assim, percebe-se uma sensação de fascinação entre os eleitores.

De uma perspectiva filosófica, a fascinação é algo que atrai e aterra ao mesmo tempo, porém, sempre interessa.

Os jogadores tradicionais contam em sua história de terem aumentado a pobreza, desencorajado o investimento privado e piorou a segurança, a saúde e a educação.

Tão reprováveis foram seus trabalhos que uma parte do eleitorado aposta pelo desconhecido, disruptivo e inesperado, à espera de que “escova nova barra melhor”.

Pareciera ser que aqueles que têm maior experiência são os que pior jogam.

Talvez o futuro próximo permita elucidar se a acumulação de erros foi devido à dificuldade que os oponentes e o ambiente apresentaram ou se efetivamente foram pela mediocridade dos jogadores do passado que soube colher mais erros não forçados do que pontos vencedores.

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Horacio Gustavo Ammaturo

Chamo-me Gustavo Ammaturo. Sou licenciado em Economia. CEO e Diretor de empresas de infraestrutura, energia e telecomunicações. Fundador e mentor de empresas de Fintech, DeFi e desenvolvimento de software. Designer de produtos Blockchain.

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