06/12/2022 - Política e Sociedade

Os casos de suicídio adolescente continuam a aumentar, o que podemos fazer desde casa?

Por nadia perino

Os casos de suicídio adolescente continuam a aumentar, o que podemos fazer desde casa?

Quando uma pessoa se expressa com semelhante mensagem perturbadora, não só fica na particularidade do mesmo ou seu ambiente mais próximo, também nos fala a todos como comunidade, como famílias, como instituições. E porque não, como cultura.

O que podemos fazer diante desta problemática que continua crescendo e nos atravessa a todos. Exacerbou-se com a pandemia, sim. Mas já se vem gestando há tempo e talvez isso só piorou o que já estava latente.

Cada 40 segundos alguém morre por esta causa que pode ser prevenida. Mais de 800.000 pessoas por ano.

Esse evento complexo da vida humana geralmente nos gera tal rejeição que de alguma maneira tendemos a, talvez inconscientemente, fugir para não nos chocar com a dor. Estou certa de que, no fundo, quando pensamos numa pessoa que se suicida, empatizamos. Sentimos em nossas próprias tripas essa dor terrível e profunda que devia sentir para cometer essa violência para si mesmo. O que poderia ter acontecido que não o conseguiu suportar? E, com sorte, Quem não atravessou um momento tão doloroso que sentiu perder a esperança diante da vida? Embora esse momento tenha sido fugaz.

A diferença em como gerenciamos esta emoção é chave, e também a rede de apoio.

A falta de conscientização continua sendo um dos principais obstáculos à busca de ajuda. Hoje, tenho alguma informação e a proposta de criar laços comunitários, rede e co-responsabilidade. É importante reconhecer a contribuição que cada um de nós podemos fazer do nosso lugar para ser uma comunidade que sustenta, acompanha e cuida. A problemática do suicídio não é apenas um problema médico-sanitário. Requer repensar, colaborar, participar, consensuar e construir a cultura em que queremos viver e em que queremos que se desenvolvam nossos adolescentes, que estão em plena etapa de mudanças e construção de sua identidade e projeto de vida.

No imaginário social, o suicídio tende a ser pensado como um ato individual, porém, a OMS afirma que “nenhum fator é suficiente para explicar por que se suicida uma pessoa; o comportamento suicida é um fenômeno complexo que se vê afetado por vários fatores inter-relacionados: pessoais, sociais, psicológicos, culturais, biológicos e ambientais”. (OMS, 2014:11) “Neste sentido, embora os sofrimentos mentais costumam ser um dos fatores considerados, é importante insistir na ideia de que a violência auto-infligida não responde linearmente a uma única causa: A associação socialmente naturalizada entre sofrimentos mentais severos e suicídio tende a invisibilizar a relação dinâmica entre o contexto social e essa problemática.”Abordagem integral do suicídio nas adolescências).

Algumas contribuições que o Ministério da Saúde fornece:

  • A pessoa que se suicida não quer morrer. A pessoa que tem ideias suicidas está a transitar uma situação de ambivalência na sua vida, ou seja, gostaria de morrer se a sua vida continuar da mesma maneira, mas gostaria de viver se houver mudanças significativas nela.
  • O suicídio ou tentativa de suicídio pode ocorrer durante um processo depressivo ou não.Os comportamentos suicidas têm sido associados a depressão, abuso de substâncias, esquizofrenia e outras doenças mentais, além de comportamentos destrutivos e agressivos. No entanto, esta associação não se deve sobrestimar. Não há relação direta entre o sofrimento que tem quem deseja terminar com sua vida e os sofrimentos ou doenças mentais.
  • Falar com uma pessoa sobre suas intenções de se matar não aumenta a possibilidade de cometer suicídio. Dialogar sobre o tema reduz a possibilidade de o cometer e pode ser uma oportunidade para ajudar quem está a sofrer.
  • Acredita-se que o que diz ou ameaça tirar a vida, não o faz, mas, a maioria das pessoas que se suicidam, fizeram saber o propósito de acabar com sua vida.Toda pessoa antes de cometer uma tentativa de suicídio evidencia uma série de sinais que de ser detectada a tempo pode ajudar a evitá-lo. O suicídio não ocorre apenas por impulso.

Como prevenir

  • Reconhecendo os sinais de alerta
    • Isolamento
    • Persistência de ideias negativas
    • Dificuldade em comer, dormir e trabalhar
    • Desesperança
    • Llanto inconsolável
    • Repentino mudança de conduta
  • Mostrar interesse e apoio
  • Respeitando as diferentes expressões de sentimentos
  • A remover preconceitos. O suicídio não é nem bom nem mau, tampouco um fato criminoso, é uma situação de sofrimento

O que podemos fazer desde casa, desde a escola, a partir de cada espaço, motivando as pessoas:

  • Para que falem sobre como se sentem
  • Para que tenham amizades saudáveis
  • Para tomar decisões de forma autónoma
  • Para que aprendam a manejar situações de estresse e dificuldade
  • Para que aprendam a perseverar quando a ocasião o exija e a renunciar quando necessário
  • Para que tenham boa autoestima
  • Para desenvolver habilidades e inteligência emocional para resolver problemas

O desenvolvimento de habilidades sociais, trabalhar em reforçar a boa autoestima e o desenvolvimento pessoal previne o suicídio.

Terei em conta que

  • Estar atentos é a forma de acompanhar
  • O diálogo não é um interrogatório, mas sim compartilhar um momento
  • Se a pessoa não tiver acesso a um tratamento, não deve ser obrigado. Continuar acompanhando e conversar, enquanto um mesmo realiza uma consulta com um profissional

Desejamos ter despertado a vontade de se envolver com esta causa ou, se você já está fazendo, ter reforçado esse compromisso!

Sabemos o fundamental do papel ativo comunitário, pois, entre outras causas que englobam a multicausalidade do suicídio, encontra-se a ausência de pessoas significativas ou espaços que possam conter, sustentar, proteger e acompanhar os adolescentes no seu desenvolvimento. Essa pessoa significativa não necessariamente é alguém da família ou de seu ambiente mais próximo, a proposta é que esteja atento a ser esse referencial positivo de alguém mais que talvez, sem que você se des conta, está pronto para te observar e apoiar em você quando precisar.

Promovê a criação de vínculos, espaços de escuta, de diálogo, de compartilhar e, sobretudo, de humanidade. Todos estamos no mesmo barco.

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nadia perino

nadia perino

Olá, chamo-me Nadia Perino, sou diretora geral e co-fundadora do Humanitarismo Comunidade um projeto de impacto social que trabalha para a prevenção do suicídio adolescente, desenvolvimento pessoal e educação das comunidades.

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