Há cerca de 6 horas - politica-e-sociedade

"Máxima: a argentina que governa de fora"

Por Uriel Manzo Diaz

Portada

Máxima Zorreguieta tem 54 anos, uma coroa neerlandesa e uma estância na Patagônia. Quando no final de abril aterrizou novamente na Argentina —apenas dias após os atos pelo Dia do Rei nos Países Baixos— ninguém ficou muito surpreso. A rainha volta com frequência. Mas desta vez a visita não era apenas pessoal.

O retorno que ninguém esperava (e que já é costume)

O voo da KLM proveniente de Amsterdã tocou solo argentino nas primeiras horas de 28 de abril de 2026. No avião viajavam a própria rainha, o rei Guilherme e Maria del Carmen Cerruti, mãe de Máxima. De Buenos Aires, a família pegou um voo doméstico direto para Bariloche, onde os esperava o emblemático Hotel Llao Llao: sede do encontro empresarial mais hermético da Argentina.

Não era a primeira vez no ano. No final de dezembro de 2025, a família real neerlandesa já havia passado o Natal em El Calafate e o Ano Novo na Estância Pilpilcurá, propriedade de cerca de 3.000 hectares que Máxima adquiriu em 2009 e que é administrada por sua tia e madrinha, Marta Marcela Cerruti Carricart. O vínculo com a Patagônia é de longa data e muito concreto.

Mas desta vez havia agenda

A décima primeira edição do Fórum Llao Llao reuniu mais de cem referentes do empresariado argentino: Eduardo Elsztain, Marcos Galperin, Federico Braun, Guibert Englebienne e Martín Migoya, entre outros. O evento, organizado pela rede Endeavor com absoluta reserva —"o que acontece por dentro fica por dentro"—, somou desta vez uma figura que excedia o perfil habitual do encontro.

Máxima Zorreguieta participou em seu papel de Defensora Especial do Secretário-Geral da ONU para a Saúde Financeira (UNSGSA), cargo que ocupa há mais de uma década. Sua dissertação não foi protocolar. Foi direta.

"O papel do setor privado deve ir além do pagamento de salários."

A mensagem apontou para que as empresas se tornem agentes de inclusão financeira: facilitando acesso à poupança, ao crédito e à educação financeira para seus próprios empregados. Em um país com inflação crônica e erosão do poder aquisitivo, a proposta tinha peso específico.

Diálogo com o círculo vermelho e reunião com Caputo

No palco, Máxima manteve uma conversa pública com Federico Braun, presidente da La Anónima, onde ambos abordaram a inclusão digital e o acesso a serviços financeiros básicos como ferramentas de transformação econômica para as classes médias e baixas. Ela também presidiu reuniões a portas fechadas com referentes do setor fintech, da agroindústria e da energia.

Fora do fórum, a agenda teve outro momento de alto impacto: um encontro com o ministro da Economia, Luis Caputo. O funcionário tornou público através de sua conta no X, onde destacou o nível de conhecimento da rainha em matéria de inclusão financeira e sua genuína preocupação pelo bem-estar das pessoas. A reunião não estava prevista nos programas oficiais.

O presidente Javier Milei havia sido convidado ao Fórum Llao Llao, mas finalmente não confirmou sua presença.

Raízes que não se cortam

O que torna singular o caso de Máxima não é apenas o fato de ser a rainha de um país europeu com raízes argentinas. É que essa dupla identidade tem consequências reais: vem ao país onde nasceu para intervir em seu debate econômico, com autoridade técnica e capital político próprio, a partir de um cargo multilateral de primeiro nível. E o faz com a Patagônia ao fundo, a poucos quilômetros da estância familiar.

A argentina que governa de fora —ou que pelo menos aconselha à distância— voltou a pisar em seu próprio chão. E desta vez, a mensagem não foi para os turistas.

Deseja validar este artigo?

Ao validar, você está certificando que a informação publicada está correta, nos ajudando a combater a desinformação.

Validado por 0 usuários
Uriel Manzo Diaz

Uriel Manzo Diaz

Olá! Meu nome é Uriel Manzo Diaz, atualmente estou em processo de aprofundar meus conhecimentos em relações internacionais e ciências políticas, e planejo começar meus estudos nesses campos em 2026. Sou apaixonado por política, educação, cultura, livros e temas internacionais.

LinkedinInstagram

Visualizações: 1

Comentários

Podemos te ajudar?