Toda criança tem um herói.
O meu não foi um atleta, um ator ou um político famoso. Meu herói foi meu pai.
Sua história começou nas ruas de Brownsville, Texas. Aos oito anos, já trabalhava engraxando sapatos para ajudar a ganhar dinheiro. Tudo o que queria na vida tinha que conquistar.
Desde muito jovem, descobriu a música. Armado com uma guitarra, determinação e um talento natural, aprendeu a tocar sozinho. Aos doze anos, já se apresentava com grupos musicais por todo o sul do Texas. Os músicos que queriam que ele tocasse com eles tinham que pedir permissão aos seus pais porque ainda era uma criança.
Uma criança de doze anos entrando em bares e casas de dança com uma guitarra a tiracolo, enquanto a maioria das crianças da sua idade se preocupava com as tarefas escolares ou os jogos de beisebol.
Com o passar dos anos, a música se tornou sua profissão e sua paixão. Seu talento o levou a lugares que aquele pequeno engraxate de Brownsville dificilmente poderia imaginar. No caminho, dividiu o palco com lendas como Freddy Fender e Willie Nelson.
Mas, por mais impressionantes que fossem esses feitos, essa não é a razão pela qual ele se tornou meu herói.
Meu pai me ensinou lições que jamais poderiam ser aprendidas em um livro.
Ele me ensinou a beleza da música e como uma canção pode nos transportar para outro tempo e lugar.
Me ensinou a respeitar o mar: sua força, sua beleza e sua imprevisibilidade.
Quando me levava para pescar, costumava compartilhar uma lição que nunca esqueci.
— Filho, você precisa aprender a ser como o mar se quiser ter sucesso.
Então, ele apontava para as ondas que chegavam repetidamente à costa.
— Você vê aquelas ondas? Elas alguma vez deixam de chegar? Não. Nunca param. Não importa o que esteja acontecendo ou as circunstâncias que você enfrente, precisa ser como aquelas ondas. Nunca pare. Continue avançando. Sempre.
Naquele momento, pensei que ele estava falando sobre pesca.
Anos depois, entendi que ele estava falando sobre a vida.
Ele me ensinou o jogo de golfe, um esporte que testa o caráter e desafia a mente tanto quanto o corpo.
E, acima de tudo, ele me ensinou a nunca desistir.
Quando era jovem, não apreciava completamente aquelas lições. Como a maioria das crianças, simplesmente supunha que meu pai sabia das coisas. Só mais tarde percebi que o que ele realmente estava me ensinando era resiliência.
Hoje entendo que aqueles ensinamentos se tornaram as bases da minha vida: a disciplina necessária para suportar tempos difíceis, a determinação para seguir em frente quando tudo parecia impossível e a capacidade de permanecer firme quando a pressão aumentava.
Sem aquelas lições, duvido que teria sobrevivido aos enormes desafios que me aguardavam anos depois. As exigências de uma carreira nas forças de ordem, as investigações complexas, os perigos, as reviravoltas e os momentos em que o fracasso parecia estar à porta exigiam a mesma mentalidade que meu pai me ensinara desde criança.
Nunca desista.
Muito antes de entrar na Academia da DEA, muito antes de carregar um distintivo, meu treinamento já havia começado. Começou no sul do Texas, com um pai que ensinava pelo exemplo.
Hoje, aos setenta e nove anos, ele continua a inspirar aqueles ao seu redor.
Quando olho para trás, posso atribuir muitos dos meus sucessos às lições que ele me ensinou. E quando penso em heróis, imediatamente penso nele.
O menino que engraxava sapatos nas ruas de Brownsville.
O jovem músico que entrava em um bar com uma guitarra.
O homem que me ensinou a amar a música, respeitar o mar e, acima de tudo, nunca desistir.
Meu pai.
Meu primeiro herói.
Leo Silva é ex-agente especial da DEA (Escritório de Monterrey) e autor de Reign of Terror e El Reinado de Terror. Com décadas de experiência na linha de frente da luta contra os cartéis transnacionais, Silva oferece aos leitores uma visão íntima de algumas das operações mais perigosas direcionadas contra líderes e organizações de alto nível.
Desde a publicação de suas memórias, Silva se tornou uma voz reconhecida na mídia e no circuito de palestras. Sua história e suas análises foram apresentadas em entrevistas com o jornalista ganhador do Prêmio Pulitzer Jorge Ramos na Univision (Assim vejo as coisas), o jornalista três vezes ganhador do Emmy Paco Cobos (A Entrevista), e Ana Paulina (Vozes com Ana Paulina), onde sua participação gerou milhões de visualizações. Ele também foi convidado em plataformas de destaque como o podcast Cops and Writers com Patrick J. O’Donnell, Game of Crimes com Steve Murphy e Chamados a Servir com Roberto Hernández.
Através de seus livros, palestras e aparições na mídia, Silva continua a iluminar as realidades do crime organizado, o trabalho das forças de segurança e o custo humano da guerra contra as drogas, ao mesmo tempo em que compartilha lições de resiliência, liderança e veracidade.

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