31/08/2022 - Política e Sociedade

Ranking de quanto dura um ministro da Economia na Argentina

Por Augusto Macias

Ranking de quanto dura um ministro da Economia na Argentina

As numerosas crises económicas fazem com que a Argentina mude frequentemente de Ministro da Economia, pelos sucessivos fracassos nesta matéria. As saídas foram variadas e também as circunstâncias, mas o que todos têm em comum é que nenhum chegou a consolidar um rumo sustentado que traga prosperidade para o país.

O último caso resonante, e bastante fresco, foi a saída de Martín Guzmán, que soube ser uma carta vencedora para o governo, mas acabou resistindo embates internos da coalizão durante meses. Neste contexto, a sua gestão ingressou numa sorte de guerra de trincheiras, e estancó, até que decidiu renunciar através de uma carta pública, enquanto a vice-presidente o criticava ao vivo durante um discurso onde o comparou com um economista neoliberal.

Apesar de sua errática gestão, Guzmán está dentro do top 10 de ministros de economia que mais duraram em seu cargo desde o retorno à democracia. Ele esteve 935 dias e encontra-se sexto dentro do ranking. O líder é Domingo Cavallo, que tem o recorde desde a volta à democracia com 2.010 dias (5 anos, 4 meses e 25 dias).

Pior sorte teve Silvina Batakis, que apoiou Alberto Fernández quando ninguém mais aceitava assumir em Economia, porque só durou 24 dias à frente da carteira, com a desprolijidade de viajar aos EUA para falar com o FMI em representação da Argentina.

De todas as formas, os que menos tempo permaneceram no cargo foram Nicolau Gallo e Jorge Capitanich, que só estiveram um dia. Felizmente, isto é uma anomalia, e aconteceu ao calor da crise de 2001, quando cinco presidentes aconteceram numa semana.

Desde 1983, 29 ministros daeconomia e, em média, duraram um ano e quatro meses cada. Mas estes números, mais do que dados curiosos, permitem visualizar as consequências de não ter consensos e políticas de Estado a longo prazo, que atinjam um crescimento sustentado do país, uma visão estratégica do tipo de produção e revisão da concentração da riqueza existente. A quase quarenta anos de democracia ininterrupta, a pobreza afeta 37,3% dos argentinos segundo os últimos dados oficiais, e esse número ascende ao 43,8% de acordo com o Observatório da Dívida Social da Universidade Católica (ODSA-UCA).

Atualmente, o ministro Sérgio Massa deve enfrentar uma conjuntura complexa. A Argentina está sufocada pela dívida externa, desequilíbrios macro e uma inflação que, segundo algumas medidas, atingirá 90%.

Ao contrário das outras diligências dentro deste governo, o Massa tem mais poder, já que está a cargo de Economia, Desenvolvimento Produtividade e Agricultura, Ganaderia e Pesca. Embora isso não garanta o sucesso, que a essa altura seria estabilizar algumas variáveis, pela primeira vez, dentro da pouca cintura da Frente de Todos, vê-se uma mudança substancial no exercício do poder.

No próximo dia 6 de setembro, o novo ministro abordará uma viagem aos EUA, onde se reunirá com as autoridades do FMI, do Banco Mundial e BID, além de representantes da Casa Branca, do setor privado e ONGs. Ali, procurará apoios e investimentos para que no futuro não se lembrem apenas por ocupar um posto no ranking de duração no cargo, mas pelo impacto que teve na Argentina.

Deseja validar este artigo?

Ao validar, você está certificando que a informação publicada está correta, nos ajudando a combater a desinformação.

Validado por 0 usuários
augusto macias

Augusto Macias

Olá, sou Augusto Macias, estudante de Ciências da Comunicação Social em UBA. Trabalho como produtor jornalístico em diferentes rádios e esporádicamente como notero. Interesso-me pela política tanto local como internacional. Além disso, gosto de viajar para descobrir novas paisagens e conhecer como as pessoas vivem em diferentes partes do mundo. Na verdade, fiz isso por um ano e meio, antes de voltar à Argentina para continuar com meus estudos.

Visualizações: 1

Comentários