O reconhecido restaurante ¨ Roldán ¨ foi o cenário de um extraordinário fenômeno interdimensional: na última quinta-feira, 12 de março, jantar lá quatro pessoas… que não estavam presentes!!!
Em uma extensa e tediosa nota publicada no diário ¨ La Nación ¨, intitulada ¨ Escândalos de bairro na tempestade do mundo ¨ onde não faltam referências que induzem o leitor a pensar em atos de corrupção e conluios sombrios que envolvem o governo de Javier Milei, pode-se ler o seguinte:
¨…na noite de quinta-feira houve uma reunião liderada por Sergio Massa em Roldán, o restaurante de José Luis Manzano e Daniel Vila. Nessa reunião estavam o tenebroso Antonio Stiuso, seu secretário privado, Lucas Nejamkis, e reaparece o mesmo personagem: Ariel Lijo ¨ (quem segundo o autor da nota teria intenções de ocupar a Procuradoria Geral da Nação, depois de não ter conseguido um lugar na Corte Suprema de Justiça).
Por que chama a atenção especificamente este parágrafo da nota? Simplesmente porque nenhum dos mencionados esteve lá. Obviamente não podemos pedir aos responsáveis do restaurante que lembrem de cada cliente que frequenta o local, então consultamos diretamente os mencionados, que negaram categoricamente a versão divulgada por ¨ La Nación ¨, e até mesmo um deles nos forneceu uma foto (ver abaixo) com o prato que jantou naquela noite (ojo de bife com purê de batata-doce), especialmente preparado por sua filha, dos quais guarda um registro fotográfico (como muitos outros) detalhado, com dia e hora.

Talvez o leitor esteja se perguntando o que realmente queremos significar com essa anedota. Muito simples: a exploração que alguns meios de comunicação e seus jornalistas estrelas fazem da confiança que neles deposita a opinião pública. É realmente impressionante observar como repetidamente, a partir dessa mesma coluna, se mente sistematicamente sobre reuniões, negócios e negociações políticas nada claras, etc. E não só isso, mas também a repetição permanente de nomes de pessoas às quais alguém decidiu vincular com qualquer coisa a fim de expô-las. Aumenta nosso desconcerto quando, em alguns casos, quem escreve e quem é atacado tiveram uma relação informativa bem lubrificada no passado. Um como jornalista, o outro como agente de inteligência.
Fomos em busca de uma explicação psicológica para essa situação e encontramos três explicações possíveis:
a. Transtorno de Personalidade Narcisista: A pessoa projeta suas inseguranças, sentindo-se superior e reagindo com raiva ou desprezo, muitas vezes personalizando a culpa em outros para proteger seu ego.
b. Mitomania (mentira patológica): Uso compulsivo e constante de mentiras para manipular a realidade, frequentemente associada à necessidade de atenção ou benefício pessoal.
c. Vitimismo crônico: O indivíduo se coloca constantemente no papel de vítima, utilizando críticas e narrativas falsas para responsabilizar os outros por seus próprios conflitos.
É preocupante que qualquer meio de comunicação com influência na opinião pública possa contar entre seus colaboradores alguém que sofra de algum desses três síndromes, ou de todos eles. Pode-se confiar em quem utiliza as páginas de um meio em que trabalha para resolver um conflito privado que talvez ameace sua credibilidade? Que papel está atribuindo à opinião pública, que manipula e desinforma?
Além de todas essas questões, o que está em jogo, em última análise, é a credibilidade e confiança dos meios de comunicação e seus jornalistas. Estamos falando de NÃO mentir, não desvirtuar o conceito de ¨ jornalismo independente ¨ e tornar-se mercenários da informação e, claro, NÃO utilizar a posição privilegiada que um meio de comunicação massivo oferece para resolver conflitos pessoais.
Sinceramente, cada vez está mais difícil acreditar que exista um jornalismo realmente independente. E casos como o que relatamos nesta nota, apenas aumentam nossas dúvidas.

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