O eixo euroasiático busca desafiar a hegemonia global dos Estados Unidos e do Ocidente em geral. Esta aliança estratégica se consolidou profundamente devido à guerra desencadeada contra Teerã desde o início do ano em curso, que se intensificou na última semana com novos bombardeios aéreos americanos, após tréguas e conversas diplomáticas frustradas que não trouxeram soluções nem levaram a qualquer lugar positivo para pôr fim à guerra.
Assim, amplia-se a visão de que os três países mencionados atuam sob uma lógica de “agravos sucessivos complementares” contra as sanções e pressões ocidentais. Neste cenário, o apoio técnico da China, que fornece através de suas empresas tecnologia de uso duplo e componentes para mísseis e inteligência geoespacial para fortalecer as capacidades de Teerã, foi reconhecido pelas agências de inteligência ocidentais.
Por outro lado, a rota do Mar Cáspio, utilizada tanto pela Rússia quanto pelo Irã, é o corredor marítimo ideal para realizar transferência e intercâmbio direto de sistemas de armas. Segundo a inteligência ucraniana, o Irã fornece drones e mísseis a Moscou para sustentar sua guerra sobre Kiev através dessa via marítima, enquanto Moscou retribui enviando sistemas defensivos avançados.
O importante jogo das plataformas multilaterais ajuda os três países a coordenar sua agenda através de blocos como a Organização de Cooperação de Xangai e o que resta do grupo dos BRICS, cujo objetivo continua sendo avançar em processos de desdolarização global. A República Islâmica do Irã é fundamental para a viabilidade da iniciativa chinesa da faixa e da rota para o desenvolvimento do Corredor Internacional de Transporte Norte-Sul impulsionado pela Rússia. Daí a constante Tensão no Estreito de Ormuz, onde a aliança vigia de perto a instabilidade nesse passagem marítima energética estratégica, onde o Irã impôs e tenta manter o controle militar frente ao CENTCOM americano.
O impacto desse cenário em América Latina, se constitui em operações conjuntas em setores-chave, a China o faz por meio de investimentos em infraestrutura, a Rússia focada na desinformação e assistência tecnológica privada direcionada a coletar e distribuir informações, e o Irã por meio de redes financeiras alternativas em países como o que se conhece como Fronteira Tríplice (Brasil, Paraguai e Argentina) e atualmente também com a Nicarágua.
A grande interrogação é como terminará em curto prazo a relação dos três com os Estados Unidos. A curto prazo, a relação da China, Rússia e até mesmo com o próprio Irã com os Estados Unidos não terá um “fim” definitivo, mas é muito possível que se estruture sob uma dinâmica tensa de contenção militar, negociações forçadas e tréguas extremamente frágeis destinadas ao fracasso.
No entanto, a administração de Donald Trump busca evitar um desgaste absoluto em múltiplas frentes e continua priorizando a diplomacia direta e o benefício econômico. Assim, o panorama imediato para cada um dos três países se divide da seguinte maneira: Irã com tregua instável e guerra de baixa intensidade. Um pacto final para pôr fim à guerra de 2026 parece complexo, a relação formal é regida por um cessar-fogo constantemente vulnerado e pela continuidade das hostilidades, apesar de acordos transitórios, e os bombardeios sobre o Irã persistem com intermitência no Estreito de Ormuz. O Irã continua tentando impor tarifas e controlar o tráfego marítimo, o que gera represálias cirúrgicas da força aérea e naval dos EUA.
Em resumo, a curto prazo, os Estados Unidos tentarão manter a China sob um esquema de competição econômica controlada, congelar o conflito com a Rússia através de longas mesas de negociação na Europa, e conter militarmente os surtos violentos do Irã sem romper completamente os frágeis canais diplomáticos estabelecidos.
Professor George Chaya é um Consultor Sênior em assuntos do Oriente Médio na Segurança Nacional e especialista em OSINT baseado em Washington DC, EUA.

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