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"O QS 2027 confirma a ascensão da Ásia na educação superior mundial: a China lidera o avanço regional enquanto o Ocidente perde posições (Marcos González Gava)"

Por Poder & Dinero

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O QS World University Rankings 2027, publicado em 18 de junho pela consultoria britânica Quacquarelli Symonds, avaliou 8.467 instituições em 106 países e incluiu em sua lista final 1.504 universidades. O Massachusetts Institute of Technology (MIT) lidera o ranking global pelo décimo quinto ano consecutivo com nota perfeita de 100, seguido em empate pelo Imperial College London e pela Universidade de Stanford. A Universidade de Oxford ocupa o quarto lugar e Harvard o quinto, configurando um top 5 que mantém sua estrutura com variações mínimas em relação ao ano anterior.

No entanto, a estabilidade do pódio contrasta com uma reconfiguração profunda nos segmentos seguintes. A Yale University subiu cinco posições para entrar no top 20, junto com a The Chinese University of Hong Kong, que avançou 14 lugares. Esse dinamismo no segmento 10-200 é, segundo a análise da própria QS, a característica mais definidora desta edição.

China, o motor da ascensão asiática

Um dos relatos mais claros do QS World University Rankings 2027 é a ascensão sustentada de instituições do Leste Asiático e do Oriente Médio, em particular dentro do top 200. A China registra o maior número de novas incorporações globais —13 novas entradas— e contribui com a maior quantidade de ascensões em toda a tabela, com 29 instituições que subiram mais de 20 posições.

As instituições da China, Hong Kong e Coreia do Sul realizaram os maiores avanços no top 100, com algumas atingindo ganhos de dois dígitos, impulsionadas pelo aumento do impacto em pesquisa respaldado pelo crescente gasto estatal em P&D, e pela internacionalização, com instituições que colocam maior ênfase em atrair talento acadêmico e estudantil internacional.

O contraste com os países anglófonos é marcante. O Reino Unido e os Estados Unidos viram cair 15 e 36 instituições, respectivamente, mais de 20 posições no ranking, frente a apenas sete no Canadá e duas na Austrália. Em contraste, a China possui 29 instituições que subiram mais de 20 lugares.

O QS atribui parte dessa tendência às restrições que os países do chamado «Big Four» —EUA, Reino Unido, Canadá e Austrália— impuseram sobre estudantes internacionais, o que deteriorou seu indicador de diversidade estudantil, enquanto Hong Kong, Cingapura, Malásia e Coreia do Sul melhoraram esse mesmo parâmetro.

O mapa asiático: Hong Kong, Cingapura e Índia

No ranking regional asiático, a Universidade de Hong Kong lidera a lista, seguida pela Universidade de Pequim, enquanto a Nanyang Technological University (NTU) e a National University of Singapore (NUS) empatam na terceira posição. A NUS ocupa a décima posição global, enquanto a NTU mantém o 12º lugar.

A Índia consolida sua presença com 52 instituições classificadas, sua melhor marca histórica segundo a QS. O Sul da Ásia é a região mais melhorada proporcionalmente, com a maior proporção de matérias subindo nos rankings, seguida pelo sudeste asiático com 38% de instituições em ascensão. O Vietnã, por sua vez, tem na Van Lang University sua instituição de maior progresso no ranking regional asiático, com uma subida de 159 posições.

No Oriente Médio, os Emirados Árabes Unidos e a Arábia Saudita registram nove e doze instituições em ascensão, respectivamente, combinando ganhos em internacionalização com investimento direcionado em pesquisa e infraestrutura.

América Latina: a UBA resiste, mas o sistema se contrai

O panorama latino-americano oferece uma leitura mais complexa. A Universidade de Buenos Aires (UBA) se mantém na posição 84 a nível global, consolidando-se como a única universidade latino-americana entre as 100 melhores do mundo, uma posição que ocupa em 11 dos últimos 12 anos. No entanto, esse dado positivo convive com uma tendência preocupante: 9 das 16 instituições argentinas ranqueadas caíram na classificação, e universidades como a Nacional de San Luis, San Martín e a do Sul de Bahía Blanca deixaram de figurar na lista. A QS destacou a «resiliência» da UBA em um contexto de «checks and balances» no financiamento universitário da Argentina.

Entre as principais públicas da região, a Universidade de São Paulo (USP) ocupa a posição 133 e a Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) a 145 a nível global. O Tecnológico de Monterrey se posiciona na 188ª no mundo, sexto na América Latina e segundo entre as privadas da região. A Pontifícia Universidade Católica do Chile deslocou a USP como a segunda melhor universidade latino-americana nesta edição. A Colômbia, por sua vez, viu cair dez de suas doze universidades classificadas.

O contraste com a Ásia é estrutural: enquanto a China soma 13 novas universidades ao ranking global em uma única edição e impulsiona dezenas de ascensões, a América Latina perde instituições na lista e as que permanecem retrocedem na maioria dos casos. A diferença em investimento em pesquisa e em estratégias de internacionalização explica, em boa medida, essa divergência de trajetórias.

Marcos González Gava é Co-fundador do Reporte Asia e especialista em negócios econômicos e financeiros, e assuntos culturais com a República Popular da China.

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