O Senado da Nação se prepara para debater um dos projetos mais sensíveis do ano legislativo: a reforma do Regime Penal Juvenil e a redução da idade de imputabilidade de 16 para 14 anos.
A iniciativa, que já obteve a aprovação na Câmara com 149 votos a favor, propõe substituir o regime vigente desde 1980, estabelecido durante a última ditadura, por um esquema atualizado que redefine a responsabilidade penal dos adolescentes.

A mudança central: imputabilidade a partir dos 14
O núcleo do projeto é claro: os jovens entre 14 e 18 anos poderão ser penalmente responsáveis. Atualmente, os menores de 16 não podem ser acusados por crimes.
O novo regime estabelece um sistema diferenciado por idades. Os menores de 14 anos ficam fora do sistema penal e serão encaminhados a órgãos de proteção dos direitos.
Um sistema de penas progressivo
A reforma introduz escalas diferenciadas:
Para adolescentes de 14 anos, a pena prevista é reduzida pela metade.
Para os de 15 anos, a redução é de um terço.
A partir dos 16 e 17 anos, não haverá redução de escala, embora se mantenha a proibição de prisão perpétua.
Além disso, estabelece um teto máximo de 15 anos de prisão para os crimes mais graves e limita a prisão efetiva a casos cuja escala penal supere os 10 anos.
Alternativas à prisão
O projeto contempla sanções não privativas de liberdade para crimes menores: trabalhos comunitários, medidas de reparação, proibições de contato e outras ferramentas voltadas a evitar o encarceramento como primeira resposta.
A privação de liberdade, segundo o texto, é reservada para os casos de maior gravidade.

Garantias e reinserção
Um dos eixos centrais é a diferenciação em relação ao sistema penal adulto. O projeto estabelece que os menores não poderão ser alojados junto a maiores de idade e prevê institutos especializados.
Também proíbe castigos físicos e o isolamento, e determina que os antecedentes criminais gerados durante a menoridade sejam eliminados ao alcançar a maioridade, com o objetivo de não condicionar a reinserção futura.
O contexto político
O tratamento do projeto foi acelerado após o assassinato de um adolescente em Santa Fé, fato que reacendeu o debate público sobre a responsabilidade penal juvenil.
Na Câmara, a iniciativa foi apoiada pela base governista, o PRO, a UCR e blocos provinciais, enquanto o kirchnerismo e a esquerda votaram contra. No Senado, os números são mais apertados e o debate promete ser intenso.
Opinião pública e críticas
Pesquisas recentes indicam um alto nível de apoio social à redução da idade de imputabilidade. No entanto, órgãos especializados em infância e setores acadêmicos alertam que a reforma deve ser acompanhada por políticas de prevenção, educação e saúde mental.
A discussão também é social e estrutural: como o Estado responde ao crime juvenil e quais ferramentas prioriza.

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