As pessoas imaginam as missões de alto risco como um movimento constante: portas se abrindo de repente, rádios crepitando, decisões tomadas em segundos.
A verdade é que, mesmo em lugares como Monterrey, havia espera. Longos períodos de espera.
A missão nunca desaparecia; ela se instalava no fundo, como um zumbido elétrico constante.
Durante essas pausas, às vezes dirigia para um bairro que a maioria evitava.
Nada do exterior chamava a atenção. Não havia letreiros luminosos nem vitrines.
Apenas um portão de metal embutido em uma fachada desgastada. Se você não soubesse que estava ali, poderia passar direto sem notar.
Você atravessava o portão e entrava em um corredor estreito, de azulejo, sombreamento e silencioso.
O barulho da rua se dissolvia atrás de você. No meio do corredor, você virava à direita. Somente então a entrada aparecia.
A doceria.
Uma vez foi uma casa, e ainda parecia. A parte da frente funcionava como loja; a fabricação acontecia na parte de trás, onde panelas ferviam e bandejas esfriavam sobre mesas de aço inoxidável.
A família estava há mais de vinte anos no negócio. Tudo era feito ali mesmo: leite queimado vertido em moldes, obleas cuidadosamente empilhadas, biscoitos recheados de caramelo alinhados em filas precisas.
Minhas favoritas eram as gorditas de cajeta, ainda mornas, com o recheio macio no centro.
Assim que você cruzava a porta, o ar mudava.
O chocolate abria caminho—escuro e quente—mas estava entrelaçado com baunilha, canela, morangos triturados, manga madura, pêssegos que perfumavam a sala. Os aromas não flutuavam; eles te envolviam.
Eles entravam nos pulmões e se instalavam ali, imediatos e vivos, como se o corpo reconhecesse algo antes da mente.
Abaixo da doçura surgia o som. O batido metálico das bandejas.
O zumbido constante da máquina misturando chocolate. Desde a escola, do outro lado da rua, a risada das crianças se filtrava pela porta aberta e ressoava fracamente pelo corredor nas asas do vento.
Era uma sinfonia ordinária—açúcar, metal, maquinaria, crianças—mas naquele bairro parecia quase um ato de desafio.
Sem perceber, meus ombros se relaxavam. A vigilância que já era instinto cediam um pouco.
Por alguns minutos, a cidade afrouxava seu aperto.
Paco supervisionava tudo com serenidade. Sua família gerenciava o negócio como sempre o havia feito: sem espetáculo e sem pressa.
Havia ordem por toda parte: filas esfriando sobre as bandejas, cestas sendo preenchidas e re-preenchidas, superfícies limpas e prontas para o próximo lote. Produção, não exibição.
A pesar de estar no coração de um dos bairros mais perigosos de Monterrey, a loja nunca foi molestada pelo crime organizado. A família era conhecida.
Eles serviram à comunidade por décadas. Não causavam problemas. Tratavam todos com respeito.
Em uma cidade marcada pelo medo, a reputação ainda tinha peso. A decência, aparentemente, funcionava como uma espécie de armadura.
Quando recebiam visitas de alto nível de Washington, eu os levava ali. Não por espetáculo. Não como desvio cultural.
Eu queria que sentissem o ritmo das ruas além dos relatórios e resumos de inteligência.
Que vissem que, mesmo em colônias marcadas nos mapas por outros motivos, as famílias continuavam trabalhando, cozinhando, rindo e abrindo suas portas.
Caminhar por aquelas ruas me lembrava o bairro dos meus avós em Brownsville, Texas.
Quando criança, eu podia saber o que cada casa estava preparando apenas passando em frente ao portão: feijões fervendo, carne fritando, tortillas aquecendo na chapa. O ar carregava a história de cada lar antes que alguém falasse.
Aquela mesma intimidade vivia aqui. No começo, me desconcertou; depois me deu firmeza.
Da escola, a risada das crianças chegava em rajadas—nítidas, despreocupadas, sem filtros.
Às vezes os observava do portão, correndo sem hesitar, gritando sem calcular.
Sua alegria me parecia frágil. Não porque fosse fraca, mas porque era intacta.
Por um momento, eu os invejei.
Não foi culpa o que se seguiu, mas reconhecimento. As cargas que carregamos como adultos não pedem permissão antes de se instalar.
Algumas são escolhidas. Outras não. A inocência, uma vez entregue, não retorna.
Em pé na entrada de uma doceria, entendi que nunca mais habitariam o mundo como eles.
No final, eu voltava pelo corredor estreito e cruzava novamente o portão para ruas que conhecia demais.
A vigilância voltava com facilidade. Sempre voltava.
A risada das crianças se desvanecia atrás de mim, substituída pelo zumbido familiar da responsabilidade.
Não resentia a vida que escolhi. Mas ali, no limiar, respirando chocolate e canela, entendi algo claramente: a inocência não se perde de uma vez. É entregue, pedaço a pedaço, à experiência.
A doceria não me devolveu o que o tempo havia tomado.
Apenas me lembrou que um dia foi meu. E por isso, estou agradecido.
Leo Silva é ex-agente residente a cargo da DEA (Escritório Residente de Monterrey) e autor de Reign of Terror e El Reinado del Terror. Com décadas de experiência na linha de frente da luta contra os cartéis transnacionais, Silva nos aproxima de algumas das operações mais perigosas dirigidas contra líderes e organizações de cartéis de alto valor.
Nota do Autor
Essa reflexão nasce de um lugar muito específico e, ao mesmo tempo, universal. Em meio a ambientes complexos e de alta tensão, aprendi que o ser humano busca pequenos espaços onde o mundo recupere sentido, ainda que seja por minutos.
A doceria não foi uma evasão da realidade. Foi um lembrete dela em sua forma mais simples: trabalho honesto, comunidade, infância, aroma de chocolate e risada de crianças. Às vezes, isso é o suficiente para nos sustentar.

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