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"Quem tem medo de Wilmer Ruperti? Os Estados Unidos, não"

Por Poder & Dinero

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Há poucos dias, neste mesmo site, publicamos duas notas referidas às propostas que estão sendo estudadas para a reconversão da matriz energética da Venezuela. Ambas tinham a assinatura do mesmo autor: Wilmer Ruperti (ver https://www.fin.guru/es/politica-y-sociedad/oil-sovereignty-and-commitment-to-the-future-wilmer-ruperti-t82tvbnenw e https://www.fin.guru/es/politica-y-sociedad/plan-ruperti-recovery-of-the-energy-logistics-and-strategic-oil-capacity-of-venezuela-wilmer-ruperti-t3lbe7vfg6)

Ruperti, de nacionalidade venezuelana, é um magnata, empresário, investidor, fundador da Global Ship Management e proprietário dos Tiburones de La Guaira, assim como do Canal I. Um dos tantos homens de negócios que teve que conviver com a ditadura castrochavista da Venezuela, embora com uma diferença fundamental em relação à maioria de seus iguais: apesar de ter sido investigado pelo Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, nunca foi passível de sanção comercial alguma e, além disso, conserva totalmente vigente o visto que lhe permite entrar e sair livremente dos Estados Unidos. Não apenas isso, contraiu matrimônio neste país e os padrinhos de seu casamento foram dois ícones da diáspora cubana: Emilio (na foto) e Gloria Estefan.

Mas, por que voltamos a esse tema? Muito simples. Tão simples quanto grave. No dia de ontem, fomos informados de que Ruperti havia sido convocado a apresentar-se ao meio-dia em uma sede do Serviço Bolivariano de Inteligência (SEBIN), sem indicação de motivo algum. Cumprindo está ¨ convite ¨ compareceu pontualmente com sua custódia pessoal, que foram separados do empresário, tiveram seus telefones e armas retirados, e um par de horas depois puderam se retirar sem que lhes fosse informada a situação de protegido. No momento de escrever esta nota, o paradeiro de Ruperti continua sendo um mistério. Nossa hipótese é que a proposta contida nos artigos de Ruperti (não nos referimos ao seu Plano de Recuperação Energética da Venezuela, ou Plano Ruperti) preocupou, para não dizer, assustou membros do governo e empresários cuja relação com os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro beira a cumplicidade. Algo impossível de atribuir ao empresário hoje ¿detido? ¿preso? ¿desaparecido? já que mantém uma milionária disputa judicial com o governo da Venezuela para poder recuperar bens que lhe foram arbitrariamente confiscados (¡Exprópriese!), ao qual nos referiremos em seguida.

Ruperti, além de suas considerações técnicas, econômicas e comerciais, propõe que é o momento ideal para levantar o debate sobre ¨ quem é quem ¨ no negócio petrolífero e sua logística na Venezuela. Acredito, estimados leitores, que compreenderão que o resultado desse debate, em um momento em que a ditadura castrochavista vacila, pode não ser muito conveniente para muitos. Não podemos afirmar quem são, mas a coincidência entre os artigos assinados por Ruperti, publicados aqui, e sua detenção, nos desperta muitas suspeitas. E acreditamos que são fundamentadas.

De acordo com documentação legal e fontes altamente confiáveis, o empresário petrolífero venezuelano Wilmer Ruperti, através da Maroil Trading S.A., mantém uma reclamação formal contra a PDVSA por uma dívida acumulada que supera os USD $610,6 milhões, decorrente de obrigações não pagas, custos assumidos em nome da PDVSA, danos contratuais e outros compromissos não cumpridos durante anos. Essa reclamação foi formalmente notificada em uma carta datada de 11 de março de 2026, enviada por Winston & Strawn LLP, de Washington, D.C., ao presidente da PDVSA, Héctor Andrés Obregón Pérez. O documento identifica expressamente a Maroil Trading S.A. como credora e afirma que a PDVSA deve USD $610,604,514.57, sem incluir juros, honorários ou custos adicionais.

O escrito também aponta que a dívida surge de várias categorias de compromissos desde 2017, e destaca como peça central o Contrato N.º 4U-059-022-A-16-N-0004, datado de 7 de março de 2017, pelo qual a Maroil obteve o direito irrevogável de receber e comercializar coque de petróleo como mecanismo de compensação por investimentos realizados para a PDVSA. Segundo a carta, a Maroil cumpriu suas obrigações, mas a PDVSA não ativou corretamente o mecanismo de compensação em seu sistema SAP e ainda comercializou porções do coque em violação do contrato.

À luz desse documento, não resulta descabido pensar que dentro do entorno do regime possa existir desconforto pela existência dessa reclamação, especialmente porque já não se trata de rumores nem de uma disputa informal, mas de uma notificação legal estruturada a partir de um escritório de primeiro nível em Washington. Isso não prova por si mesmo uma represália, mas coloca a controvérsia em um terreno muito mais delicado, especialmente se combinada com o momento político e petrolífero que vive a Venezuela. A própria carta sublinha que as recentes mudanças no panorama global, as atualizações à legislação venezuelana e a postura das autoridades americanas abrem novas fontes de receita e investimento para a PDVSA, e que a Maroil pretende defender vigorosamente seus interesses em qualquer foro necessário.

O mais preocupante é que, segundo os apontamentos que circulam, Ruperti teria sido detido pelo SEBIN sem ordem judicial nem devido processo. Não pude verificar com suficiente solidez em fontes públicas confiáveis, no momento desta revisão, uma confirmação independente e totalmente documentada dessa detenção, então essa parte convém manejar como presumida ou reportada, não como fato encerrado. É verdade que o contexto que descreve chama poderosamente a atenção: essa situação ocorre após Ruperti ter expressado publicamente, por meio de artigos e propostas, sua intenção de participar da recuperação da indústria petrolífera venezuelana através do que apresentou como um Plano de Recuperação Petrolífera Ruperti. Além disso, tudo isso coincide com especulações sobre as dificuldades do entorno da chamada narcopareja para obter fundos legítimos e limpos com os quais sustentar uma defesa legal nos Estados Unidos, justo quando se aproxima o início de um caso federal em Nova Iorque. Sobre esse último ponto, também convém apresentá-lo como especulação ou análise, não como fato provado, a menos que depois o amarre com evidência documental adicional.

As próximas horas serão críticas para saber o que pode acontecer com Wilmer Ruperti, e quem ou quem estão por trás de sua detenção, que tem todas as características de uma intimidação. Poderão silenciar Ruperti? Se nos guiarmos pelo nome de sua equipe de beisebol, parece muito pouco provável. Estaremos atentos. Não apenas por Ruperti, mas porque estamos diante de um teste contundente para determinar se efetivamente algo está mudando na Venezuela ou se trata simplesmente de cosmética política.

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