04/03/2022 - Tecnologia e Inovação

O ecossistema e a transição energética

Por Fabrizio Pelli

O ecossistema e a transição energética

Em 17 de junho de 1914, como escreveu na sua biografia Martin Gilbert, Winston Churchill, naquele momento ministro da Marinha britânica, pediu ao Parlamento uma autorização para comprar 51% da empresa produtora de petróleo Anglo-Persian Oil company pelo estado, cuja aquisição vinha negociando há meses.

O Parlamento aprovou a operação com 254 votos a favor e 18 votos contra, e foi encerrado com um preço de 2 milhões de libras. Graças a isso, a Royal Navy conseguiu garantir todo o petroleo necessário para seus navios de guerra sem depender de nenhuma companhia privada or de algum governo estrangeiro. Nos 50 anos seguintes, só os interesses desse 51% adquirido por Churchill sobre os lucros petrolíferos da empresa cobriram todos os custos dos navios construídos após 1914. A Anglo Persian Oil Company é hoje conhecida como British Petroleum (BP).

A vision de Churchill permitiu compreender a importância do petróleo nos anos que vinham, tanto na parte operacional como no crescimento da indústria pesada e do emprego, como também no aspecto económico financeiro.

Há setores em determinados momentos históricos que precisam da cooperação de todos os atores para que o ecossistema possa crescer e sustentar-se em forma mais robusta e eficiente. Isto inclui o sector público como também o privado.

Crescer como ecossistema hoje é central para a transição energética e a transformação digital. Para a transição energética hoje em dia, ainda o desafio continua a ser a redução dos custos de geração das energias renováveis, e está a acelerar, sobretudo na Europa e na Austrália, a revolução do hidrogénio.

A gestão das novas centrais de energia e das suas redes smart, precisam de sensores de iot no local e que seus dados estejam nas nuvens alocadas em um datacenter de última geração. Para que as nuvens sejam eficientes, é necessária conectividade de qualidade, e este é um clássico exemplo de como é necessário o crescimento do ecossistema para que tenham sucessos setores estratégicos contemporâneos.

Hoje é o momento para que se façam esforços globais nesta direção, para que possa crescer o ecossistema destes setores estratégicos e para que as pessoas se capacitem para a nova demanda de trabalho desses setores. Sempre tendo em conta o que escrevia Voltaire em 1759: o trabalho tem à distância três grandes problemas: o tédio, os vícios e as necessidades.

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Fabrizio Pelli

Olá sou Fabrizio Pelli, licenciado em administração de empresa na Universita Luigi Bocconi de Milan, master em management na Università Luigi Bocconi de Milan. Partner de Dade2, delegado externo para a América Latina da Itália4blockchain

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