30/01/2023 - Tecnologia e Inovação

Os Profetas Falsos da Web3

Por Rafael Gabriel Costa

Imagen de portada
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Em 1999 começava a ver o início do auge do que hoje chamamos a web 2.0, uma web que permitia não só receber informações, mas também enviá-la e gerar todo tipo de interação nela. Mas a realidade é que a maioria das pessoas e dos usuários estavam longe de entender que era realmente a web 2.0 e como esta ia mudar nosso paradigma inteiro de como usávamos a internet.

Corria o ano de 1999, e numa entrevista a David Bowie no programa Spotlight da BBC, um dos debates mais contundentes do que então íamos chamar a web 2.0. Nesta entrevista, o entrevistador tratava sem sucesso de convencer Bowie de que a “nova” internet não era mais do que um novo canal de comunicação, semelhante a outros que já existiam. Mas Bowie podia ver além disso e explicava que a mudança era ainda mais profunda, que a interação entre emissor e receptor ia ser tão in-simpatico, que a internet ia deitar completamente os nossos conceitos do que significava a comunicação e a digitalidade.

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Nesse momento, as pessoas via a web 2.0 como a possibilidade de poder responder mails, ter seus fóruns, responder postes de redes sociais, e alguns mais ousados, em vender coisas pela internet. Mas eles estavam muito longe do que a web 2.0 acabou se tornando. Nesse momento, esses usuários nunca imaginaram que 15 anos depois um ia poder escolher produtos da loja mais próxima de sua casa, e que esses produtos iam chegar da mão de um desconhecido, trabalhando para um app em outro país, e tudo isso sem usar uma nota física no processo. Naquela época não imaginavam que 15 anos no futuro, um ia poder conhecer seu futuro casal e talvez o amor de sua vida através de uma app de encontros. E muito menos imaginaram que 15 anos depois milhões de usuários ao redor do mundo saíram para praças procurando pokemões digitais. Nessas épocas não imaginavam que as pessoas iriam tirar “selfies” e usar orelhas de cão no ecrã. Naquela época nem sequer imaginavam um celular tátil, nem falar de apps.

Assim de primitivo eram os origines da web 2.0, era todo um panorama por se descobrir, e ainda assim, surgiram aqueles que hoje chamou os “falsos profetas”, autores, cientistas, economistas, tecnólogos que vinham dizer que a web 2.0 era assim ou asa. Eles veniam e contavam como um tipo de web era melhor do que outra, contavam como as redes sociais eram inúteis e até alguns se animavam a julgar as possíveis tecnologias táteis em celulares. Alguns até foram tão longe em dizer que a web 2.0 não ia poder viver nos celulares, só em computadores. Todos errados pelo passar do tempo, mas em seu andar enganaram muita gente a pensar como eles. Na minha memória, meu pai que em paz descanse, era um desses, por anos renegou contra as redes sociais argumentando muitos autores e cientistas que falavam da iminente queda das redes sociais e da perda de tempo que representavam. Foi uma questão de anos e meu querido velho estava em todas as redes sociais, até um canal do YouTube teve. Esse exemplo, tonto, é apenas um de milhares, e nesses exemplos também há pessoas que perderam dinheiro, oportunidade de investimento, de criação, e até mesmo alguns perderam a vida, ou se esqueceram da massa de suicídios do Y2K pelo “colapso iminente da tecnologia”.

Hoje vejo o mesmo acontecer na web 3, muitas notícias, vídeos e comentários semelhantes a “os NFT são uma farsa”, “a queda dos metaversos”, “as crypto são uma bolha”, “tudo isso da web 3 não vai funcionar”, e assim posso seguir e seguir. Mas mesmo em coisas mais pequenas encontramos com esses falsos profetas: em comentários como “ethereum é melhor que tal moeda”, “os NFTs de Solana são todos um roubo”, “Decentraland não tem chances como metaverso”, “a única criptomoeda é bitcoin”, “a AI vai nos tirar o trabalho”. As críticas e as falsas promessas que nos bombardeam dia-a-dia acumulam-se assim.

A web 3 está em fraldas, e quando digo fraldas não falo desses para bebês de 2 anos, falo para bebês de 5 meses. É tão nova que realmente é impossível saber que vai acontecer. No entanto, já há pessoas falando de “que vai passar na web 3” com certeza absoluta que assusta. Mas a história e os fatos me chamam a denunciar essas pessoas, não em um desejo de atacá-los, mas se de prevenir as pessoas que se encontram com eles, em ajudá-los a ter um olhar crítico e entender que falta um monte por vir ainda.

Os NFTs caíram e agora estão em ascensão de novo, com muitos projetos sérios e poucos scams. Continuam a aparecer moedas fortes. Algumas moedas como Solana que todos previram sua morte não para recuperar e ganhar peso. Decentraland está mais ativo do que nunca e quando Roblox apareceu todos criticaram que não tinha nada a fazer contra outros jogos, Roblox segue maior que nunca e Decentraland também. Estamos criando imagens mais originais e simplificando passos no trabalho graças à AI e animo-me a prever que muito cedo a AI não vai tomar o seu trabalho, mas que realmente vai ajudá-lo a encontrar o trabalho que realmente quer. Poderia seguir, mas acho que entendem o meu ponto, entendem que não vou atacar nem condenar ninguém que tenha feito uma “falsa promessa”, mas se venho dizer que estão errados, porque nem eu que estou escrevendo da web 3 e trabalho na web 3, entendo realmente que é a web 3 e isso está perfeito porque ninguém pode fazê-lo.

Tal como no nascimento da web 2 ninguém imaginaria que existiria algo chamado “apps” e que basicamente podiam ser uma multiplicidade de coisas, tal como ninguém imaginaria que surgiriam movimentos sociais que acabaram invadindo o Capitólio dos EUA através de “redes sociais”. Ninguém hoje pode imaginar como vai ser a web 3 em 5 anos. E não falo apenas de mudanças tecnológicas como as apps, falo de mudanças sociais, culturais e de si como nos identificamos como humanos. Há 30 anos, uma pessoa a olhar para a Palma de sua mão por horas era rara, hoje é alguém a olhar para o seu celular, e isso nos afetou a um nível planetário e de raça humana (ou talvez não tenham dores de costas depois por olhar tanto para o ecrã do celular). A web 2 mudou a humanidade por completo e muita gente teve a ousadia de dizer que isso não aconteceria, o mesmo acontece hoje com a web 3 e acho saber o que vai acontecer.

A única verdade é que a web 3 está se construindo neste momento e se algo nos ensinou a tecnologia ao longo da história, é que está não para, desde que o homem inventou a roda, a tecnologia não parou e não dá sinais de que ele vá fazer isso.

Isso só nos dá três lugares disponíveis, o da negação, pensar que sabemos tudo e dizer que isso não vai funcionar. A descrença como a do meu pai em duvidar de tudo ouvindo “falsos profetas”. Ou o lugar do curioso, daquele que não sabe que vai acontecer, mas está disposto a mergulhar no tema para entender.

Sejam curiosos e não criam tudo o que os outros dizem, porque a web 3 já se move sozinha e não depende do que um profeta diga no Twitter ou no YouTube. E se você está lendo isso, tem sorte, porque chegou cedo para a próxima mudança evolutiva da raça humana, servite uns pochoclos com refrigerante, o show está por começar.

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rafael costa

Rafael Gabriel Costa

Olá, me chamo Rafael Costa, popularmente conhecido como Ragaco, sou Licenciado em Publicidade e Criativo especializado em Direção de Arte e Inovação. Atualmente trabalho como Web3 Creative Art Diretor e Embaixador de A.I. para o Core Creative team de Media.Monks, a maior produtora criativa do mundo. Tive a sorte de ser criativo para marcas como Meta, Twitch, Shell, L'Oréal, Adidas, Gucci, HP, Macy's, entre outras.
Vencedor de vários prêmios criativos internacionais (FEPI & One Club of Creativity), designer selecionado do Adobe International Awards e fotógrafo vencedor para AT&T.
Há mais de um ano, especializo-me em todos os aspectos da Web3, especificamente em funcionalidade, storytelling, criatividade, design, estratégia, futurologia e tecnologias aplicadas, onde não só trabalho para muitas das marcas mencionadas antes, mas também assisto como consultor externo para múltiplos clientes locais e internacionais.
No passado trabalhei como fotógrafo profissional corporativo, tradutor internacional, Social Media Strategist, Social Media Creative Diretor, motorista de televisão e rádio/podcasts.
No meu tempo livre leo e colecciono quadrinhos, faço pesquisas paranormais, escrevo contos curtos, desenhou caricaturas, faço fotografia urbana e ando em longboard.
Você pode me encontrar em todas as redes como @ragaco30 ou em www.theredninjaturtle.com

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